quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Entrevista com Charles Bicalho - Belo Horizonte - BH

Formado em Letras pela UFMG.

Em 1996 teve seu primeiro contato com os índios em Minas Gerais, quando foi dar aulas de Português e Literatura para eles. Foi quando iniciou pesquisas sobre a língua e a literatura do povo Maxakali, o único em Minas que ainda tem sua língua falada por toda a comunidade. A partir daí, começou a fotografar sistematicamente os índios, seja na aldeia, seja em suas atividades na cidade.
Em 2001, fazendo mestrado, foi aos Estados Unidos, onde morou um ano. Em 2006 comecou a fazer oficinas e um curso na área de cinema. No começo deste ano, terminou outro curso, de pós-produção em audiovisual participando de algumas mostras e festivais com o seu “Caligrafilmes”. Paralelamente vem ensinando e produzindo com os índios. Com amigos, fundou a Pajé Filmes e passou a desenvolver os vários projetos em equipe.


Cine Mosquito – Fale um pouco da tua relação com o audiovisual.

Charles Bicalho - É uma relação que sempre houve. Sempre fui muito ao cinema, desde menino. A coisa se tornou um hábito que nunca mais parou. Na adolescência freqüentava a Sala Humberto Mauro do Palácio das Artes em Belo Horizonte, que sempre privilegiou o cinema diferenciado, de autores, ou raridades. Considero a fase mais importante de minha formação em cinema. Ainda hoje tenho curiosidade para descobrir novos autores e coisas antigas que sejam novidade pra mim.
Mas a produção em audiovisual só foi possível com a democratização digital devido ao barateamento dos equipamentos ocorrido nos anos de 2000. Aí se tornou viável pra mim adquirir computador, máquina fotográfica, e, finalmente, filmadora.
No começo deste ano terminei um curso de pós-produção para tv, cinema e novas mídias.
Hoje em dia, além de meu trabalho de pesquisa acadêmica, criei com amigos uma produtora, a Pajé Filmes, que busca desenvolver nossos projetos, alguns deles com a participação de representantes das etnias indígenas mineiras. Isael e Sueli Maxakali, por exemplo, da etnia Maxakali, fazem parte da Pajé. Assim como Janine Brioude, Marcos Henrique Coelho, Wladimir Moura, Gis Rezende e Rafael Fares, que não são indígenas.

CM – Como surgiu a idéia de fazer cinema junto aos índios de Minas Gerais?

CB - Trabalho com os índios aqui em Minas desde 1996, quando fui convidado a ensinar Português a eles num curso de formação para professores indígenas.
Neste ponto o foco era a literatura. Aprendi um pouco da língua Maxakali, dos índios desta etnia, ainda preservada aqui em Minas. Aprendia com os índios meus alunos no tal curso, enquanto realizávamos transcrições e traduções para o Português de suas histórias e cantos tradicionais. Esse trabalho visava a produção de material didático diferenciado para as escolas indígenas, e publicamos até agora, só com os Maxakali, seis livros bilíngües.
Mais tarde, quando adquiri equipamento de filmagem e comecei de fato a realizar trabalhos audiovisuais (a fotografia já era um hábito desde o início da relação com os índios), realizei como professor, no âmbito do mesmo curso de formação para os professores indígenas, oficinas de audiovisual para mais de 70 índios, com duração de uma semana no Parque Estadual do Rio Doce em Minas. Nestas oficinas, os índios receberam noções sobre a escrita do roteiro, a pré-produção, a preparação de atores, maquiagem, figurino, enfim, todas as fases na produção de um filme. Houve também oficina de operação de câmera, em que os alunos receberam ensinamentos sobre noções de fotografia, enquadramento, etc.
A partir daí os índios realizaram todas as etapas de filmagem. Apenas a edição e finalização foram realizadas em Belo Horizonte por mim e por Rafael Fares, meu parceiro na empreitada. Dessa experiência foram realizados quatro curtas-metragens, que no conjunto ganharam o nome de “O sonho do pajé”.
Além disso, faço parte, assim como Rafael Fares, de um grupo de pesquisas da UFMG, chamado Literaterras, que, além da publicação de livros, também desenvolve oficinas de vídeo com os índios estudantes mineiros. Lá, além da produção própria, lidamos com um vasto acervo de filmes produzidos por índios ou com índios do Brasil inteiro, como, por exemplo, os do projeto Vídeo nas Aldeias.
Diante do grande número de títulos desta cinematografia indígena é que resolvemos fazer a Mostra Pajé de Filmes Indígenas, cuja primeira edição aconteceu em setembro último no auditório da Escola de Belas Artes da UFMG. Além de sete filmes de diretores indígenas, exibimos dois filmes de diretores não-índios, mas cuja temática se relaciona a esses povos tradicionais. São dois filmes brasileiros que, em essência, documentais, não se atém muito à pureza de gênero. Trata-se de “500 Almas”, de Joel Pizzini, e “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci. A programação completa da Mostra Pajé pode ser conferida no nosso blog (http://www.paje-filmes.blogspot.com/).


CM – Quem são os cineastas que você admira e que influenciaram tua história com o cinema?

CB - Difícil dizer. Além do mais, não me interesso apenas pelo cinema. Sempre fui um grande consumidor de literatura. Música também sempre instigou a minha curiosidade. E hoje em dia, com o computador, em que todas as linguagens estão ao alcance do mouse, mais do que nunca, quem se interessa por arte, seja produzindo ou consumindo, tem um caráter multimidiático. O próprio cinema, diante das possibilidades interativas das novas mídias, fica defasado, devido a sua característica de passividade do espectador diante da tela, que apenas vê, ouve e sente, mas não interfere.
Meu filme “Caligrafilmes” é reflexo dessa diversidade de interesses. Sendo uma série de sete vídeo-poemas, ele explora a relação entre a imagem e escrita. E dialoga com tradições que sempre enfocaram a imagem da escrita, como a caligrafia árabe e os ideogramas chineses. Modernamente falando, cito os caligramas (poemas cuja mancha de impressão sobre o papel evoca figuras). E contemporaneamente falando ainda, a poesia concreta, os vídeo-poemas de Arnaldo Antunes, até chegar ao grafite urbano, que também tem uma categoria que explora o aspecto visual da escrita. Meu “Caligrafilmes” é assim um experimento que trás a palavra para um suporte que tradicionalmente privilegia a imagem, dando cores, formas e movimentos à escrita. Ele se constitui quase como hieróglifos animados.
Ainda assim, adoro o cinema e tenho admiração por muitos diretores, principalmente aqueles dedicados a explorar as possibilidades da linguagem audiovisual. Atualmente, por exemplo, tenho acompanhado a obra do dinamarquês Lars von Trier, desde o primeiro filme que vi dele, “Os Idiotas”, que me causou uma sensação boa devido ao tema pouco usual e à proposta de uma linguagem despojada. Mais tarde, com “Dogville”, ele novamente quebrou paradigmas com aquela espécie de cinema-teatro.
Mas gosto também de clássicos antigos como Antonioni, Kubrick e outros. No Brasil, Glauber Rocha é sempre uma grande inspiração. Assim como Zé do Caixão.
Mas admiro também a nova geração que vem renovando nosso cinema. Caras como Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”) e Karim Ainouz (“Céu de Suely”), que se juntaram ultimamente e realizaram um filme sobre o qual li coisas instigantes que me despertaram a vontade de assistir. Trata-se de “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. Lírio Ferreira também faz um cinema que me interessa.

CM – Fale um pouco para nós sobre o cinema que rola na grande Minas Gerais.

CB - Existem alguns cursos, mas ainda falta uma boa estrutura para quem quer aprender e produzir.
A Escola de Belas Artes da UFMG é um pólo de produção respeitável, mas mais restrito ao gênero animação. As pessoas costumam se organizar em grupos e desenvolver seus trabalhos na raça.
O forte em Minas são as mostras e festivais. O incentivo para a formação vem de iniciativas mais que louváveis como a da Universo Produções que realiza as mostras de Tiradentes, Ouro Preto e a CineBH todo ano, oferecendo oficinas e exibindo o melhor do cinema brasileiro.
Tem quem vem de outras partes para filmar aqui, aproveitando as locações, principalmente nas cidades históricas. Atualmente, por exemplo, está sendo rodada mais uma adaptação de Guimarães Rosa para as telas. Na verdade uma refilmagem.
No mais, a disputa por uma vaga nos editais públicos é determinante. Quando sai um edital, há sempre uma enxurrada de projetos concorrentes.

CM – Como você vê a retomada do cinema nacional? Quais as perspectivas?

CB - Vejo o cinema brasileiro atual com muita empolgação. Sempre achei que o cinema do Brasil está entre os melhores do mundo. O que dificulta as coisas para nós é o mercado que já está dominado e a ignorância e inércia de alguns políticos que poderiam fazer mais pela educação no Brasil, ajudando a formar mais público para a nossa produção.
O que mais gosto de ver são os bons filmes brasileiros. Não se trata de ufanismo ou nacionalismo. É que me interesso em saber o que andam fazendo à minha volta. E como a minha realidade pode ser retratada nas telas.
Acho que o caminho é de muito trabalho para conquistar espaço, mas vejo a concorrência como um estímulo. O Brasil tem um potencial de mercado enorme para os filmes feitos aqui. Tem é que pegar e fazer, na medida do possível e do esforço.

CM – Fale um pouco das produções de filmes que você tem feito ultimamente.

CB - Depois da experiência com filmes de escola e meu curta “Caligrafilmes”, meu foco agora são os projetos que tenho elaborado com o pessoal da Pajé. Aguardo o resultado de uma lei de incentivo para um projeto que se chama “O Monstro do Sertão”, sobre um grande artista pernambucano. Temos ainda outras coisas em perspectiva. Isael e Sueli Maxakali já falaram de um filme que querem fazer baseado numa história de suas tradições e vamos ajudá-los a conseguir as condições para a sua realização, elaborando projeto e buscando todo tipo de apoio.
Outro projeto que temos é juntar um cineasta aqui de BH, que é um mestre em efeitos especiais, com os índios para a realização de um filme com base em roteiro com um quê de fantástico.
Até um projeto para filme de terror clássico temos na Pajé.
Além disso, já pensamos na segunda edição da Mostra Pajé de Filmes Indígenas para o ano que vem.
Enfim, trabalho é o que não falta.

CM – Quem é Charles Bicalho por Charles Bicalho?

CB - Que pergunta difícil! Mais fácil os outros dizerem quem a gente é. Mas, sou alguém lutando por um espaço, tentando fazer o que gosta.


entrevistado por Jiddu Saldanha http://www.jiddusaldanha.com/

sábado, 3 de outubro de 2009

2ª Mostra Cinema Poema em Bento Gonçalves – RS




Bento Gonçalves é a cidade onde acontece um dos mais duradouros e completos eventos de poesia do Brasil. Lá, neste metamórfico 2009 o "XVII Encontro Brasileiro de Poesia" reunirá verdadeiros titãs da poesia, como o filósofo e poeta Antônio Cícero, compositor da MPB, conhecido por belas canções compostas para a voz de sua irmã a cantora Marina Lima além do aclamado poeta de Campos, Artur Gomes e o grupo Poesia Simplesmente, do Rio de Janeiro.
Presença marcante será dos poetas brincantes: Dalmo Saraiva, Edmilson Santinni e este que vos escreve. Teremos ainda Jorge Piri, o contador de histórias Glauter Barros e a presença da revelação da poesia experimental Bárbara Morais do grupo teatral Bicho de Porco. Uma grande viagem pelo mundo da poesia ensolarada, que resiste contra todas as “pesquisas”!
Coordenado por Ademir Antônio Bacca, também poeta, o evento traz ainda a figura de um dos maiores nomes da poesia visual brasileira, o encantador de formas, Hugo Pontes, além do poeta mineiro Ronaldo Werneck e o implacável experimentalismo de Joaquim Palmeira, vulgo Wilmar Silva ou vice versa (versos).
E é no meio desse furacão brazuca que surge a Segunda Mostra de Cinema Poema em Bento Gonçalves!
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2ª Mostra Cinemapoema em Bento Gonçalves (Exibição de Curtas Metragens sobre poesia).

Coordenação: Jiddu Saldanha (Rio de Janeiro)
Local: Auditório do SESC de Bento Gonçalves - RS
14:00h
quarta-feira, dia 7

Participações

FULINAÍMA FILMES – 08 min.
Amorágio 1 e Amorágio 2 , de Artur Gomes – Homenagem ao poeta Salgado Maranhão.

ALMA DE POETA FILMES – 9 min.
Anu, o filme antifilme – de Luis Fernando Proa, homenageando o poeta Joaquim Palmeira ou Wilmar Silva ou Vice Versa.

PROJETO CINEMA POSSÍVEL – 10 mins.
Filmes de Jiddu Saldanha – Homenageando os poetas: Antônio Cícero, Cacau Gonçalves, Herbert Emanuel entre outros

RONALDO WERNECK – 6 min.
Com o filme Soldade, uma bela homenagem do poeta ao cineasta Humberto Mauro.

CHARLES BICALHO - 3 min.
Caligrafilmes criados por Charles Bicalho, da Pajé Filmes


Finalização com leitura de poemas de poetas franceses, em homenagem ao ano da França no Brasil.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

CINEMOSQUITO ESPECIAL







Sessão dupla Cine Mosquito, dia 10 de setembro - 15 hrs.
Contação de Filmes e 17 hrs. Estréia do média metragem
"No Caminho Com Ivan Cruz"! Imperdível


Local - Teatro Muncipal de Cabo Frio!

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

Contação de Filmes com Jiddu Saldanha

Usando recursos de contador de histórias, por onde perpassa a linguagem oral, a mímica e o jogo de cena com o público, Jiddu contará alguns dos mais importantes filmes da cinematografia mundial e Brasileira.

Jiddu Saldanha contará grandes clássicos do Cinema, como Dr. Jivago, Deus e o Diabo na Terra do Sol entre outros. Será um momento de diversão, memória e interatividade com a platéia presente.

Duração – 60 minutos

Contação de filmes, dia 10 de agosto, 15 horas, no festival Curta-Cabo Frio, 2009 - Cine Mosquito especial.


RELAÇÃO DE FILMES QUE SERÃO CONTADOS ÀS 15.H

Deus e o Diabo na Terra do Sol
Glauber Rocha - 1964 / Brasil

Fanny e Alexander
Igmar Bergaman – Suécia/França/Alemanha – 1982

Os Girassóis da Rússia
Vittorio de Sica – 1970 / Itália

O Boulevar do Crime
Marcel Carné – 1945 / França

Dr. Jivago
David Lean – 1965 / USA

O Quatrilho
Fabio Barreto – 1994 / Brasil

Atenção:

O Tempo de duração de cada história-filme, será de aproximadamente 10 minutos.

FILMES QUE SERÃO EXIBIDOS ÀS 17H.

Seleção Cine Mosquito 2009
(Festival Curta- Cabo Frio)

· Bolinha de Papel - 4 min.

Débora Aranha – Rio de Janeiro

· Pela Passagem de uma Grande Dor 12 min.

De Paulo Mainhard – Cabo Frio

· Polifonia - 00:06:30
De Artur Gomes – Campos dos Goytacases

· Dos Verbos Somar e Sumir “Som” 3 min.

de Bárbara Morais – Cabo Frio

· Cadê o meu Ônibus - 11 min.
Vicentini Gomez / São Paulo

Estréia, primeiro média metragem do projeto Cinema Possível

· No Caminho com Ivan Cruz (Título Provisório)

Jiddu Saldanha – Cabo Frio – Documentário – 40 min.

http://www.festivalcurtacabofrio.com.br/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Mosquito de Ouro"

Peró Hostel, casa lotada no 7º Cine Mosquito!
Contar e fazer mímica de filme foi uma ótima experiência no 7º Cine Mosquito.
Um ótimo e divertido público formado de pessoas sedentas por conhecer filmes nacionais que já levaram prêmios em festivais de cinema pelo país a fora.
O grupo "OS 13", marcou presença com seu belo filme "Fuga", já no filme "Cadê Meu Ônibus", de Vicentini Gomes a platéia explodiu em gargalhadas vendo a excelente performance do ator Henrique Taubaté Lisboa.
Durante a exibição do filme "Hera" de Pedro Rocha, que substituiu o filme "Faca Cega", do mesmo diretor, por problemas de mídia, a platéia ficou totalmente envolvida pela trama froidiana que além de bela fotografia, tinha uma movimentação de câmera segura que fez o público vibrar pela "pegada" cult que o filme apresentava em sua estrutura.
Comovente foi a participação do filme "Casa de Lama", feito com uma câmera fotográfica de 5 megapíxels, o filme comoveu pela crueza narrativa do jovem aprendiz de cinema Rafael Chagas que retratou uma cena de enxente onde ele mesmo, junto com sua família, foram os protagonistas, o resultado foi um filme arrebatador com apenas 4 minutos de duração.
O Filme "Ya Pois", de Paulo Marcondes, mostrou a riqueza cultural do estado de Alagoas, com riquíssima mistura de festas e personagens contadores de causos, um presente do alagoano Márcio Fujio que fez questão de estar no Cine Mosquito para falar um pouco de sua rica cidade.
O Filme "Íris", de Paulo Mainhard manteve seu status de ótima realização na cidade de Cabo Frio. Aplaudido com entusiamo pelo público que pode contemplar o ótimo roteiro de Rodrigo Cena e a eletrizante montagem além da beleza da atriz Viviane Antunes que também teve ótimo desempenho num dos papéis centrais do filme.
Para coroar a festa, nosso tradicional banquete, teve modestas mas deliciosas iguarias que só podia ser complementada com uma bela ciranda que colocou os jovens e os mais velhos numa mesma roda onde venceu o mais forte de todos, a cultura, a arte, o cinema e nossa bela identidade cultural brasileira.
O prêmio "Mosquito de Ouro" vai mesmo é para os anfitriões. Carmen e Rui, que fizeram do Peró Hostel, um cantinho da arte, mostrando elegância, carinho e, claro, trabalho duro para manter a festa num alto nível como o que foi apresentado.
Agora, vamos guardar energias para o próximo evento.
Quando será?
A G U A R D E M!!!!!!!!

sábado, 25 de julho de 2009

O 7º Cine Mosquito
(Nosso Cine-clube itinerante)


Peró Hostel - CaboFrio

Olá pessoal, envio a todos a lista de filmes que serão exibidos no 7º CINEMOSQUITO. Lembrando que a grande novidade, talvez inédita no cineclubismo brasileiro, é a Contação de Filmes, pelos próprios participantes, e aquele delicioiso jogo de adivinhação de filmes com mímica.

Traga sua pipoca e seja feliz!


Data: Dia 02 de Agosto Domingo

Hora: 16:00

Local: Peró Hostel:

Endereço: Rua Cotrin, 13 / Bairro Peró – Cabo Frio/RJ

Telefones: (22 ) 26437431 / (22) 2644 3123

COMO CHEGAR

Para quem vem de Ônibus: Pegar o Ônibus PERÓ - 301, 328 ou 329 – Descer no primeiro ponto depois da rua do moinho em frente à Igreja de São José

Para quem vem de carro: O Peró Hostel possui estacionamento próprio e gratuito.


PROGRAMAÇÃO

Rodada de “Contação de filmes”.

Se você gosta de contar filme para os amigos, agora é o momento, venha contar filmes no Cine Mosquito.

Mímica de Filme
Traga seu bom humor, energia positiva e junte-se à gente para fazer aquelas famosas mímicas onde o participante tem de adivinhar o nome do filme.

Sessão de Curtas Metragens CINEMOSQITO

Na programação principal, estaremos passando filmes do Cineasta de São Paulo Vicentini Gómez e o Cineasta de Cabo Frio, Luis Simpson (Que assina a direção de arte e fotografia do filme Faca Cega).


FILMES QUE SERÃO EXIBIDOS

Curtas metragens de Alta, Média e Baixa Resolução.

Cadê o meu Ônibus - 11 min.
Vicentini Gomez / São Paulo – SP
Íris - 12 min
Paulo Mainhard / Cabo Frio

Fuga – 18 min
Lucas Müller – Cabo Frio

Casa de Lama – 04:30
Rafael Chagas – Cabo Frio – RJ

Faca Cega – 25 min.
Pedro Rocha – Rio de Janeiro / RJ

Ya Pois – 14 min
Paulo Marcondes – Alagoas

Banquete CINEMOSQUITO

Traga algo para degustar, a bebida será vendida no local: Faremos uma mesa com as delícias trazidas pelos próprios participantes do evento. Venha se divertir com o cinema brasileiro de curta metragem!


Mestre de Cerimônias – Jiddu Saldanha / 22 - 26483763 www.jiddusaldanha.com

terça-feira, 9 de junho de 2009

André Sampaio - Rio de Janeiro / RJ

Criador de filmes como "Vida Fuleira" e "Tira os Óculos e Recolhe o Homem", André Sampaio é uma referência para os cineclubistas de todo o Brasil. Seus filmes sempre muito bem acabados, mostram a mão segura de um artista de primeira. Vamos conhecê-lo melhor, nesta entrevista curta.



Adre Sampaio - Cineasta

CINEMOSQUITO - Como você se interessou por cinema?
André Sampaio - Meu pai é o veterano montador de cinema Severino Dadá, ainda em atividade, montador de mais de 300 filmes entre longas e curtas. A tampa da lixeira da minha casa era uma tampa de lata de negativo Orwo, do leste europeu. Morava em Vila Isabel e gostava de sair com meu pai pra ver cartaz de filme nos extintos cinemas de rua da Tijuca. Ainda por morar em Vila Isabel próximo ao Laboratório Líder hoje Labocine, sempre vi copião de filme e gostava e copião é coisa chata. Tinha um playmobil bombeiro e construia prédios com batoques na moviola quando acompanhava meu pai. Acho que vem disso tudo, da fome com a vontade de comer. E tudo isso bem pequeno.

CM - Um filme sobre Kid Moringueira, estrelado por Jard´s Macalé. Fale um pouco da realização do filme "Tira os Óculos e Recolhe o Homem"?
AS - Esse filme vem da minha amizade com o Jards, desenvolvida nas filmagens do longa coletivo Conceição – Autor Bom é Autor Morto, onde dirigi a figura em cenas de matança e perseguição. Daí, vendo seus shows, saquei que um de seus números era narrar, antes de interpretar a música Tira os Óculos e Recolhe o Homem, única parceria dele com o Moreira da Silva, todo o episódio real que inspira a composição: a sua prisão em 1977 – ditadura militar – quando fazia shows pelo Brasil ao lado do Morengueira. Então pensei, o roteiro tá pronto, é só filmar. Batalhei uns bons cinco anos repetindo o argumento nos editais e um dia colou. Morengueira é um grande argumentista de cinema!



Seveino Dadá, mais de 300 filmes montados


CM - O que você acha que pode melhorar, no panorama do cinema brasileiro?
AS - Esse é um árido tema. Acredito que a coisa realmente comercial, o negócio do cinema não existe. Existe um sistema de dependência, um engenho e não uma indústria. Mas o cara navega na canoa furada com mentalidade de transatlântico e aí a estranheza aprofunda-se e é do grande ao pequeno. Daí são as leis, distribuição dos recursos destas leis, captações e por aí vai, o cara fica esperando o edital e não sai do lugar esperando uma vez que pode não chegar e amargura e a coisa é braba mesmo. E não existe um pensamento da distribuição, todo filme é lançado igual e o fato é que temos muito pra trabalhar e esteticamente esta pseudo competitividade pra tornar o filme supostamente comercial cria produtos que não são nem arte nem invenção nem comércio. Produtos engessados porque em busca de excelências técnicas e daí fica esse ramerame. E por aí vai!

Cena do filme "Tira os Óculos e

Recolhe o Homem" direção de André Sampaio


CM - Como você vê a questão das novas tecnologias no cenário cinematográfico atual?
AS - Este é o nó. E desatar o nó é pensar as novas tecnologias como nova cultura e não meramente como novas ferramentas do antigo ofício. Trata-se de um novo pensamento de produção de distribuição e de exibição. A coisa é outra coisa e quem insistir vai ficar pra trás. Vamos ver que coisa é essa. Eu quero ter minha própria emissora de televisão que coloco no ar da minha casa na serra do cocorocó e quero ganhar dinheiro com isso.


CM - O Curta "Vida Fuleira" funciona como uma homenagem aos artistas de rua e ao cinema mudo, como foi pra você, dirigir este filme?
AS - Esta talvez seja uma experiência única na cena do curta metragem. Fui contratado para dirigir este filme. Um produtor cearense, Ricardo Arruda, me mostrou um roteiro seu (O Artista de Rua e a Balarina), que já tinha mostrado a vários cineastas que haviam recusado a proposta, não gostavam do roteiro, achavam melodramático, cafona, etc. e tao. Eu que não tenho esses pudores e manias de artista, graças a Deus, e penso o cinema de forma muito mais livre e mesmo circense feira experiência e mesmo busca de novas formas de relação de trabalho topei primeiro e depois fui ver o que era. E daí parti pra fuleiragem, pro cinema mudo, arregacei as mangas e trabalhei com toda liberdade. Fui pago pra isso e todos que trabalharam foram pagos. O dinheiro acabou na finalização e o filme ficou muito tempo parado, anos. Terminei o filme com recursos próprios e vagarosamente. Experiências.


CM -Quais são os cineastas e filmes da tua prferência?
AS - Vejo tudo. De Alvim e os Esquilos a Passarinhos e Gaviões pra citar filmes com animais. Tenho essa capacidade. Vou dizer 3 filmes gringos e 3 nacionais, com seus respectivos autores. Filmes que me chaparam para sempre: O Bandido da Luz Vermelha, do Rogério Sganzerla, O Amuleto de Ogum, do Nelson Pereira dos Santos e As Aventuras Amorosas de um Padeiro, do Waldir Onofre; A Marca da Maldade, do Orson Welles; Pick Pocket, do Bresson e outro dia vi e chapei com El Topo do Jodorowski. Não significa tudo mas o que passa pela minha cabeça nesse instante.

CM - Quem é André Sampaio por André Sampaio?
AS -
Um viajante das estrelas reincidente no planeta Terra oprimido pela gravidade.

Veja no youtube o Trailler do filme "Strovengah - Todos os Olhos" (clique aqui)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

LUIS SIMPSON – CABO FRIO /RJ

Dentro da linguagem cinematográfica, Luis Simpsom confessa gostar de Direção de Fotografia. Morou nos EUA onde estudou, no Brasil concluiu a faculdade de cinema, viajou para a Angola, onde trabalhou em projetos de audiovisual.
Seus filmes primam por acabamento e excelência em cada detalhe. Vamos conhecer melhor, este Cabofriense que tem feito bonito pelo mundo a fora!



Luis Simpson no estúdio em Luanda - Angola


Cine Mosquito – Como foi que você se interessou pelo audiovisual?

Luis Simpsom - É difícil achar alguém que não goste de cinema. Eu sempre gostei de assistir filmes, documentários, propagandas, bem antes de pensar em trabalhar nessa área. Quando criança gostava de tirar fotos, principalmente de paisagens. Aos 18 após tentar vestibular sem sucesso para direito fui morar nos USA, lá tive a oportunidade de estudar fotografia e comprar alguns equipamentos, na volta para o Brasil fiz a faculdade de cinema onde desde o primeiro curta trabalhei como diretor de fotografia, nessa época tive então a certeza do que gostaria de fazer como profissão.

CM - O que você gosta de assistir? Quais os filmes e cineastas que te influenciaram?

LS - Gosto de quase tudo, desde os filmes americanos comerciais até os filmes “cabeças” franceses, depende de como estou me sentindo. Já passei por algumas fases. Durante a faculdade conheci os filmes clássicos e importantes diretores como Orson Welles, Kiarostami, Godard e Truffautt. É incrível o que os caras fizeram numa época sem muitos recursos, sem contar os tipos de linguagem cinematográfica criadas por cada um deles. Hoje em dia dizem que nada mais se cria no cinema, tudo se copia. Uma união de coisas que já foram feitas por alguém, provavelmente por um dos muitos diretores geniais que tivemos ao longo da história. Cada filme, visto e estudado é uma influencia em algum momento na vida, mas acho que a maior influencia que tive foi dos diretores brasileiros como Walter Salles e Fernando Merelles, principalmente pela importância que eles tiveram no renascimento do cinema brasileiro.

CM – A linguagem cinematográfica é cheia de atrativos, desde a direção de arte, fotografia, cenografia, câmera, etc... o que você mais gosta de fazer, relacionado à criação de um novo filme?

LS - Acaba que tudo se interliga em algum momento. O segredo é a Direção, Direção de Fotografia e Arte estarem sempre em sintonia. Gosto de fazer a fotografia por diversos motivos. Nela é discutida desde o “tom” do filme até a movimentação dos atores (misen scene), movimento de câmera, cortes, planos seqüências, é tudo uma questão de linguagem que tem que ser bem definida. Uma história pode ser contada de diversas maneiras e geralmente é o diretor e o fotógrafo que decidem isso. Acho que eu como fotógrafo tenho a função de tornar possível (tecnicamente) todas as “viagens” do diretor e roteirista, mas também sugerir coisas que podem facilitar a filmagem ou acrescentar em algo na cena. Gosto de trabalhar com diretores que são abertos a sugestões, que interagem com a equipe, geralmente o filme ganha muito com esse tipo de atitude.

CM – Fale um pouco dos filmes que você participou, qual deles você gostaria de destacar aqui e porque?

LS - Cada trabalho que fiz tem um pouco de mim, isso é, gosto de todos, mesmo os mais simples, por que sei das dificuldades que tive ao faze-los. É sempre muito trabalhoso! Requer uma entrega total até que a obra seja finalizada, deixando de ser sua, ganhando vida própria. Tive o prazer de fazer trabalhos de linguagens bem distintas como foto filme, stop motion, mas se perguntar para 10 cineastas o formato que mais gostam de trabalhar, os 10 vão dizer que nada se compara ao som da película rodando. Os 24 frames por segundo registrando o momento que geralmente é bem ensaiado, falhas representam grande prejuízo. Sendo assim, o filme “Hera” meu primeiro curta 35 mm é o que considero mais importante. Pudemos explorar o que a arte pode oferecer ao extremo, sem realismo. Esse filme foi bem nos festivais abrindo de certa maneira uma porta importante para mim no mercado. Destaco também um trabalho que fiz em Portugal. Uma mini série sobre os Templários. Pude contar com equipamentos HD de ponta que proporcionaram lindas imagens, quase todas feitas em locações incríveis. Filmamos muito em castelos, igrejas romanas, florestas e casas antigas. Foram cinco meses de muito trabalho, as vezes 24 horas sem parar, mas no final tudo sempre vale a pena.


Em portugal, trabalho meticuloso, utilizando equipamento digital de última geração, numa mini-série sobre os templários.

CM – Você trabalhou numa grande emissora de TV depois foi trabalhar na áfrica, que tipo de perspectiva você vê dentro da arte cinematográfica em relação ao Brasil e Angola, por exemplo?

LS - Estamos muito avançados em relação a quase todo o mundo. Os brasileiros se destacam em todos os lugares que vão. Acho que porque trabalhamos muito aqui. Sem hora para acabar. vamos nos especializando em cada função. Não é assim em todos os lugares. Em angola tem muito português fazendo novelas e tv, mas eles não sabem a metade do que os brasileiros sabem ( Mais a questão do “felling”). Em fim, vejo um mercado em angola e áfrica em geral muito promissor. Hoje em dia, além da internet, temos vôos diários para lá. O intercambio de idéias e profissionais está cada vez maior. Conheci muitas pessoas e histórias quando morava lá. Escrevi alguns roteiros e pesquisei outros tantos fatos que gostaria de documentar. 30 anos de guerra é algo que não se apaga facilmente. Pelo contrário. É importante registrar, seja como ficção ou documentário esse passado recente. Fora o passado antigo que é muito rico também. Minha preocupação também é retratar as coisas bonitas que eles tem para mostrar, mesmo diante de tanto sofrimento que o povo africano sofreu e continua sofrendo. Nós brasileiros devemos muito a eles nesse sentido. Saber festejar mesmo diante de tanta corrupção e violência. Onde já se viu um povo ferrado, cheio de dívidas ter uma cultura tão bonita, tantas festas e carnavais. O cinema brasileiro, assim como o africano tem muito futuro se souber beber dessa água cultural rica que brota nesses dois continentes.


Realizado em película, Hera, de Gustavo Beck, é um filme brasileiro onde
Luis Simpson, confessa ter sido uma de suas melhores experiências

CM – Quais são os filmes e autores que te encantaram dentro da sétima arte e que você gostaria de recomendar aos leitores do blog CINE MOSQUITO?

LS - Os filmes iranianos e indianos me surpreenderam muito, mas são tantos os títulos e autores de vários países que acaba indo mais para um lado pessoal. Cada um gosta de um estilo em particular. Sugiro ver tudo o que é possível. O que estiver ao alcance, pois mesmo aquele filme desconhecido e dito como chato por alguns pode te passar uma mensagem legal. Tenho amigos que assistem 3, 4 filmes por dia, se pudesse faria o mesmo.

CM – Quem é Luis Simpson por Luis Simpson?

LS - Hahaha, essa é a mais difícil de responder, até por que eu ainda estou descobrindo isso. O que sei é que não estamos aqui por acaso. Cada um tem uma missão nessa breve vida aqui na terra. Eu sempre me interessei pelos temas ambientais, tive isso muito forte em casa com a minha mãe. Recentemente tenho alguns projetos de documentários nessa área que espero poder ajudar nessa luta desleal na qual estamos vivendo contra os próprios humanos que ainda não acordaram para essa causa.