sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Uma Equipe que dá Certo.

Reunidos desde que o Cine Mosquito fez sua retomada na Casa Scliar, aos poucos, formamos nossa equipe. Hoje, no espaço USINA 4, o grupo está descobrindo o mistério por trás de um trabalho minuscioso, que envolve, um cineclube. Parabéns para a equipe. Errar e acertar são as duas faces de uma única moeda: O Sucesso.

Junto com Ravi Arrabal, gerente do espaço USINA 4 que acolheu o Cine Mosquito. A equipe unida pelo ideal de levar cinema de qualidade e independente, para o público de Cabo Frio.

Lembro como se fosse ontem, os primeiros momentos em que a Nathally Amariá, apareceu no Cine Mosquito, simplesmente colocou a mão na massa. Organizou a entrada do público, varreu o espaço, foi buscar água para os convidados e sugeriu um montão de idéias; todas foram aceitas. E o convite para participar do nosso cineclube foi inevitável. Batalhamos juntos desde o final de 2014. Em 2015, ainda na Casa Scliar, apareceu a Manuella Ellon, fez logo um bonito banner e caprichou nas fotos. Começou a pensar uma identidade visual e se apaixonou pelo Cine Mosquito. Ajudou a consolidar a marca.
Celso e Jean, já eram frequentadores desde o final de 2014. Mas foi no espaço USINA 4 que comecei a prestar atenção neles com mais cuidado. Bastava dar algum problema e lá estavam os dois, sempre na boca do gol, ajudando a "apagar incêndio". Pessoas assim, são valiosas para um projeto como o Cine Mosquito, necessitamos de ajuda, de apoio, mas não podemos simplesmente ficar achando que só isso basta. Com todos efetivados na equipe, surge novas demandas; as possibilidades de crescimento vem para todos. 
Embora o Cine Mosquito sobreviva desde 2008, só agora, 8 anos depois, podemos dizer que temos uma equipe de verdade. Um time unido que vai alavancar nossas atividades e contribuir para que possamos, cada vez mais, proporcionar cinema de qualidade e alternativo para quem ama compartilhar momentos de amor pela arte da telona. A nova equipe já é uma marca do nosso movimento, quer irá culminar na primeira premiação alternativa para cinema, de Cabo Frio. O prêmio "Mosquitão", aguardem para breve.

Uma equipe que deixou saudade.

A primeira tentativa de formação de equipe do Cine Mosquito não foi em vão.
A dedicação de uma galerinha que sempre deu valor e amou nosso espaço, 
simplesmente inesquecível.
Mas muito antes de pensarmos numa equipe definitiva, é bom lembrar de um doce momento vivido no Cine Mosquito, quando realizamos na Casa Scliar. A presença de Cristal Gabetto, Ludmila Galván e Cleiton Fernandes, deixou uma saudade no nosso cineclube. Jovens estagiários que se dedicaram ao Cine Mosquito enquanto puderam, entretanto, a vida de estudante e as transições da juventude os levaram para outras direções, mas não sem deixar a marca de seu coração amigo e sua dedicação ao nosso tão querido espaço para a expansão da arte na telona.

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Alvíssaras, Hector Babenco!

A notícia da morte de Hector Babenco tem impacto profundo na filmografia brasileira, argentina e mundial. Falar deste cineasta, significa percorrer um mundo onde a dignidade é o foco. Sua obra, deixa marcas no coração da gente!

Babenco, talvez o cineasta que mais apreciei a obra...
Minha geração cresceu falando de um dos grandes orgulhos do cinema nacional, o filme "Pixote - A Lei do Mais Fraco", embora Marilia Pêra já fosse um dos grandes nomes da TV e Teatro Brasileiro, foi no filme "Pixote", que ela alcançou a verdadeira notoriedade como atriz de primeiro time. O segredo era um cineasta argentino (a Argentina produz um dos melhores cinemas do mundo). Babenco naturalizou-se Brasileiro  - fez isso antes do Mercosur existir - porque ficou emocionado com nossa realidade e queria transpô-la para a telona.
Talvez seja o cineasta de quem mais vi a filmes. Lembro da emoção que foi, sair do cinema após assistir "Pixote - A Lei do Mais Fraco", o cine Plaza, em Curitiba, estava lotado, numa época em que o brasileiro atingia o auge de sua rejeição ao cinema nacional. No entanto, "Pixote" ficou várias semanas em cartaz e foi, no mesmo ano, o filme de maior bilheteria, batendo, inclusive as produções estadunidenses...
Um filme incrível e inesquecível, adaptado
da obra de um gênio da literatura, o argentino
Manuel Puig.
Prefiro não dizer a ordem de sua filmografia, mas falar da emoção de ter assistido cada um de seus filmes, por exemplo "O Beijo da Mulher Aranha", uma produção brasileira e estadunidense, não só, deu o óscar de melhor ator ao, então, Willian Hurt, como também, consolidou a carreira da atriz Sônia Braga. Mais do que isso, foi um filme que lavou a alma dos prisioneiros políticos. Lembro-me que quando vi este filme, eu estava estava com 20 anos de idade e era 1985, eu trabalhava numa fábrica de lâmina para compensados de assento de cadeira, e convenci um amigo, crente, a ir comigo. Esse amigo, hoje um dos grande teatrólogos de Curitiba, me contou que depois que viu esse filme, nunca mais odiou o cinema nacional e, de quebra, abandonou o fundamentalismo e a ignorância imposta por um certo conceito religioso.
Já em "Brincando nos Campos do Senhor" despertei minha visão em relação aos índios e o que estava acontecendo com a amazônia. O filme, de um pessimismo crítico, era uma produção ousada e mostrava a realidade indígena do Brasil, e, mesmo sendo uma produção capitaneada pelos EUA, era uma visão clara e uma mensagem precisa sobre a invasão das culturas ribeirinhas e amazônidas, pelos pregadores cristãos de linha pentecostal. Um filme avassalador que me fez ver bem longe, tanto que hoje, no Cine Mosquito, nós temos uma cessão especial só para filmes feitos por cineastas indígenas.
Nos anos 90, vi o filme "Carandirú", e fiquei impressionado com a performance do ator Luis Carlos Vasconcelos, que também é palhaço. Mostrando sua profunda vocação para o cinema. Eu já o havia assistido no filme "O Baile Perfumado" , de José Lirio e Paulo Caldas, e estava maravilhado com sua performance no cinema. "Carandirú", embora tenha destacado o ator Rodrigo Santoro, foi também onde vi, pela primeira vez, o glorioso ator Gero Camilo, para mim, um dos melhores e que tive a honra de ver em outras produções e que conheci, pessoalmente, por volta de 2005. 
Enfim, Hector Babenco, para mim, é um dos mais fortes nomes do cinema nacional e latino. Sua obra vai ficar para sempre, e marcou uma época. Hoje, sabendo de sua morte, não poderia deixar de fazer esta homenagem singela a este que foi um monstro sagrado das artes. Espero que as novas gerações não percam tempo e corram para conhecer sua obra. Babenco não só é motivo de orgulho; ele é, também, um archote, desses que brilham nas trevas do mundo injusto que vivemos.

Jiddu Saldanha - Blogueiro

Veja "O Beijo da Mulher Aranha" completo. Recomendo...


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Cine Mosquito 57, Uma invasão do Cinema Local de Cabo Frio e Região.

O Filme CICLO, trás no elenco, o ator
Mauro Silveira, nome de peso das artes em
nossa região.
Cada vez mais maduro e com mais qualidade, a produção audiovisual e cinematográfica local está dando frutos. Uma nova geração chegando, mostrando seu trabalho e o público, cada vez mais generoso, e feliz com o que é nosso. O Cine Mosquito, que a 5 anos atrás tinha que exibir uma simplória produção local, agora se acotovela para escolher filmes de qualidade indiscutível, tudo feito em casa. E se o filme não for com câmeras de ultima geração, não tem problema, o mais importante é ver que a obra se comunica. Não podemos deixar de reconhecer e dar os devidos créditos ao Festival de Cinema de Cabo Frio, que a 10 anos vem trazendo excelência, qualidade e referência em audiovisual para nossa cidade. O Cine Mosquito, que teve sua alavancagem em 2008, agora, tem o prazer de mostrar uma riqueza que é fruto do trabalho de muita gente apaixonada e focada na linguagem cinematográfica.
Não é fácil mapear o complexo trabalho audiovisual na cidade de Cabo Frio, que tem a mão de muita gente em diversos braços políticos da cidade. Embora, nem todos os agentes responsável por esta história bonita, estejam do mesmo lado, é bom lembrar que, algum momento histórico a cidade se uniu para traçar um caminho intuitivo e comum a todos e, hoje, se não for o Festival de Cinema local, capitaneado por Miguel Alencar Jr., é o Cine Mosquito que segue levando adiante esta chama da produção local, sem deixar de mostrar o que é de fora e o que é de outras culturas, outros países e outras linguagens.
Cabo Frio conseguiu formar, nos últimos 10 anos, um time forte de cineastas, câmeras, realizadores, produtores, etc... alguns, como Lucas Müller já são profissionais e estão ganhando prêmios em festivais robustos de categoria nacional e internacional. Rafael Chagas, tornou-se um câmera profissionalíssimo, trabalhando para grandes emissoras de TV. Deborah Diniz, premiada no festival local é um exemplo de realização tanto na frente como por trás das câmeras, abraçando, inclusive a figura do ator histórico Mauro Silveira, que veio contudo e está trazendo sua colaboração para a nossa arte. O querido Herbert Salles, tornou-se um monge da criação audiovisual, recolhido em seu recanto, de lá, faz seus experimentos. Ravi Arrabal, depois de uma feliz aventura artístico-audiovisual com a famosa Abaeté, trouxe sua reflexão crítica e política para a ação na telona. Saudade também do querido Marcelo Pegado, que deixou um rastro de competência e paixão.
Os irmãos Heitor e Worthon, o ator Wagner Cabral, a atriz Mirian Panzer. A presença inesquecível do mestre Milton Alencar Jr. vendo seus rebentos surgirem a mil pelas ruas e becos da cidade, gritando, "ação, gravando, corta..." e sua nova parceria, Buna Pozzebon, que, juntos, levaram o belíssimo projeto TELETEATRO, com o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia num belo exercício do fazer teatral em harmonia com o audiovisual, como a TV dos velhos tempos. Na produção, não podemos esquecer do apoio da TV-Cabo Frio e da Karen Varella, nomes, instituições e pessoas importantes para a coquista deste momento histórico que estamos vivendo, no espaço USINA4, capitaneado por José Facury, Tânea Arrabal e Ravi Arrabal.
Também não podemos deixar de lembrar das 13 edições realizadas na Casa Scliar, em 2014/2015, um fator que disparou o cine mosquito para um outro patamar de percepção e relação com uma platéia fiel e sedenta por mais arte na telona. Aqui estamos, no CINE MOSQUITO 57, nos preparando para a entrega do prêmio MOSQUITÃO DE OURO, que irá acontecer ainda este ano, contemplando uma história que já está com 8 anos de existência. Nossa equipe, hoje coesa e bem focada: Nathally Amariá, Manuela de Paiva Ellon e este que vos escreve, Jiddu Saldanha. Estamos num momento de grande investida e descoberta de um caminho sólido e forte, trilhado pelo Cine Mosquito, que atravessou todas as dificuldades e que, no tentando, continua firme.

SERVIÇO:
Cine Mosquito 57
Local: Espaço Usina 4
Hora: 19:30
Endereço: Rua Geraldo de Abreu, nº4 - Jardim Excelsior (na Tua da Ampla
Ingresso: R$ 2,00

sábado, 23 de abril de 2016

USINA 4, O Novo Espaço do Cine Mosquito.

Já foram dois eventos realizados no espaço Usina 4, todos lotados, o que promete ser um boom, tanto para a realização do audiovisual local, nacional e internacional, quanto para encontros entre realizadores. O Cine Mosquito, no seu oitavo ano de existência, nunca esteve tão bem.

Um público de maioria joovem, o Cine Mosquito atrai, também, os realizadores de filmes locais,numa ciranda de produção de arte e conhecimento, de forma incrível. Foto: Nathally Amariá

Uma espaço aconchegante e com cheiro de arte, local onde as energias se conectam de forma livre e leve, com a excelente receptividade dos donos da casa. Assim é o espaço Usina 4, local de onde podemos mergulhar fundo em nossos afazeres, buscando sempre uma forma digna e simples de trabalhar pelo nosso sonho. A equipe do Cine Mosquito está muito feliz e profundamente focada em seus objetivos; contribuir para fazer de Cabo Frio, um polo para o audiovisual, este aliado do teatro que faz a vida fluir na linguagem da arte e no coração participativo de quem não tem medo de sonhar momentos melhores e de arte para todos.
Poder encontrar novos realizadores e se conectar com a produção de cada um, nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Mas ainda há muito pra se fazer, o cinema é uma linguagem complexa e envolve um outro tipo de de foco que vai muito além da exibição de um filme. Por outro lado, o Cine Mosquito se define dentro de um padrão onde a lógica da exibição também serve para conectar pessoas dispersas pelo universo do fazer audiovisual. Com este investimento em energia, sensibilidade e muita colaboração, agora estamos chegando a um grande encontro entre quem faz, quem cria e quem exibe.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Novos realizadores de Cabo Frio em ação no Cine Mosquito 55.

"A Cabeça do cineasta é uma ponte entre a solidão e a criação". 

Ver uma juventude alerta e feliz, focada na arte do cinema, produzindo e criando seu próprio audiovisual, é um sonho possível, embora exija uma forte mobilização dessa juventude. Mas aqueles que decidiram botar o pé dentro da história, não vão arredar fácil. Muito bom poder sentir a força criativa e fúria devastadora, desses corações sedentos por um fazer, por uma construção e por um caminho de realização.

Novos realizadores, buscando entender e pensar um cinema autoral dentro de perspectivas possíveis.
No Cine Mosquito 55, uma profusão de novos realizadores, finalmente, cruzaram seus caminhos. Criadores de filmes, gente que gosta de brincar com imagens, de construir seu espetáculo visual, pessoas que, em breve, estarão fazendo a diferença no mercado audiovisual e que, mais do que isso, vão levar a energia do cinema adiante, restituindo a Cabo Frio, seu espaço de verdade, dentro do cinema nacional e, mais do que isso, gerando oportunidade e construindo possibilidade.
O Cine Mosquito 55, provou que fazer cinema local, se não é tão viável, pelo menos é possível e isto não tem preço. Juntar gerações com suas criações e mais que isso, estimular um exercício de reflexão através da arte e do pensar, dentro de diversos contextos, este é o sentido de toda arte e é por isso que o cinema é a arte que agrega. A cabeça do cineasta é uma ponte entre a solidão e a criação. O exercício de criar, de fazer e de buscar seus sonhos, faz da vida algo provável e possível.
Parabéns aos novos realizadores, vida longa a todos.

Jiddu Saldanha - Curador e Blogueiro


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Entrevista com Bruno Pereira.


Convidado para dar uma oficina de roteiro para o Curta Cabo Frio 2015, Bruno Pereira, vem marcando a vida cultural cabo-friense, de forma sutil. Ele é dessas pessoas que vai pavimentando a vida e o caminho de alguns jovens, alunos ou não (ele é professor do IFF- Cabo Frio) com suas argumentações e reflexões sobre o fazer artístico e o exercício da paixão pela arte.Bruno Pereira é professor de Literatura e Redação do IFF Cabo Frio, licenciado pela UFF em Letras e mestre pela UENF em Cognição e Linguagem. Dedica-se à teoria e à prática de gêneros textuais, entre eles, o conto e a crônica. Recentemente, passou a dedicar-se às técnicas da escrita do roteiro cinematográfico. É autor do roteiro do curta "Dinheiro Fácil". Prepara-se para produzir o segundo roteiro: "Amores Baldios".

Cine Mosquito - Quero começar esta entrevista, vasculhando um pouco da tua história. Onde e em que momento o cinema encontrou o professor Bruno Pereira?

Bruno Pereira - O cinema me encontrou antes do ofício de professor. Cresci em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Filho de pais assalariados, cresci à margem do circuito cultural das salas de cinema. Meu pai ganhou uma "tevezinha" bem pequena num bingo de quermece.  Aquela tevê é que foi responsável pela minha educação audiovisual. Foi muita Sessão da Tarde depois da escola. Mais à frente, na adolescência, com o a popularização do vídeo cassete, passei a assistir a filmes selecionados, de gêneros por que me interessava mais. Hoje o cinema está na internet. Mas, antes da tevê, vídeo-cassete e internet, sempre gostei de ver histórias bem contadas. A primeira grande tela de cinema foi a minha cachola mesmo. Lembro-me pequeno ouvir vidrado toda aquela conversa fiada do meu pai, antes mesmo da chegada da tevê em casa. E fazer cinema é isso: contar uma boa história. Mas com vantagens como o registro e a reprodução.

CM - Fale um pouco da tua memória cinematográfica, quais os roteiros, os filmes e o que te assombrou dentro da linguagem do cinema.

BP - Sempre gostei de peripécias narrativas. Histórias que exploram bem reviravoltas e surpresas, mas que façam isso com o mínimo de recursos. Penso que o expectador que não é um mero comedor de pipoca quer ser surpreendido e, ao mesmo tempo, ter a inteligência desafiada. Julgo-me um desses. Gosto também de narrativas paralelas em um filme, e da quebra do fluxo cronológico. Mas nada espetaculoso. A coisa pode ser simples e, ao mesmo tempo, sofisticada. Um filme indigente, mas atraente e perturbador é "Amnésia". Poderia citar filmes consagrados, mas cito esse. É um filme que não se ampara em grandes atores e não conta com grande produção e, ainda assim, explora bem recursos técnicos e narrativos de modo a capturar o expectador. Como narrativa é um verdadeiro cubo mágico para quem assiste.

CM - Você é professor do IFF. Um espaço de alta performance para jovens estudantes técnicos, é daí que vem o padrão de qualidade do teu trabalho?

Penso que é a convergência de vontades que faz isso acontecer lá na escola. Há o fato de ser uma escola federal que, logo, conta com recursos federais. Mas há a questão da convergências de vontades. Quem entra no IFF, seja professor, seja aluno, sente que não pode fazer feio: tem que aproveitar o investimento que é feito na gente para aprender e realizar o possível ali. Sei que nem todos têm a mesma visão. Mas sinto esse sentimento ali. Isso faz a gente querer fazer mais e melhor. Às vezes, funciona e repercute.

CM - Teu roteiro "Dinheiro Fácil", brinca com clichês cinematográficos... Você sente que tua obra vai por este caminho ou você está experimentando de forma mais eclética essa linguagem?

BP - "Dinheiro Fácil" foi um trabalho feito para apresentar a alunos do primeiro ano do ensino médio características do gênero roteiro e da linguagem cinematográfica. Na ocasião, não havia nenhuma expectativa de que o roteiro se tornasse um curta feito por atores e produtores profissionais. Inclusive. a presença de clichês era matéria de aula e serviu para ilustrar aspectos recorrentes no gênero policial  "noir", que tínhamos visto durante o bimestre. Mas flerto com clichês. Vejo-os como ingredientes de uma culinária bem-sucedida, testada e aprovada por paladares há um século de cinema. Só não vale errar a mão e exagerar. Ou valer-se somente disso.

CM - Como é, pra você, dar uma oficina de roteiro no 9º Festival de Cinema Curta Cabo Frio?

BP - É um prazer e um privilégio. Gosto da ideia de haver lugar para falar da produção de textos criativos, roteiro de cinema e linguagem cinematográfica, em Cabo Frio, que é a cidade onde trabalho há quase seis anos. E gosto disso acontecer num festival. Penso que as pessoas estarão ali realmente porque querem, afinal, não tem prova e nem vale nota, diferentemente da escola. Sei que será uma troca formidável.

CM - Qual a diferença entre o cinéfilo Bruno Pereira e o roteirista Bruno Pereira

BP - Diante de uma narrativa, parto-me em dois: duplico-me. Reparto-me em expectador, ou seja, aquele que espera ser surpreendido por um sentimento ou constatação; e em pesquisador: coleto amostras para estudo. Já era assim antes, quando assistia a filmes e escrevia contos e crônicas. Mas, desde que decidi produzir narrativas para cinema, faço isso com mais apuro. Procuro pensar cinematograficamente. Penso em produzir curtas, que são menos complicados e mais rápidos de fazer. Nesse momento, trabalho e prazer se confundem: o prazer dá trabalho e o trabalho dá prazer.

CM- Quem é Bruno Pereira por Bruno Pereira?

BP - Entre um montão de coisas que julgo e pretendo ser, sei que sou um apaixonado por narrativas. Uma boa história ganha o meu coração. Seja uma piada, seja um romance, acredito que o poder das narrativas vem da magia de contar a nossa história ao contar outra história. Ou seja, fala de outra coisa, coisas inventadas, mas fala da gente mesmo. E histórias alimentam e curam. Tanto na sala de aula entre colegas e alunos quanto na rua ou em casa entre amigos e família, sinto-me e sagro-me um contador (e escutador) de histórias. E isso me basta.

Cine Mosquito na Casa Scliar, o novo espaço do Cine Clubismo de Cabo Frio.

O Cine Mosquito virou ponto de encontro de pessoas felizes.
Desde a edição nº 43, o Cine Mosquito vem acontecendo na Casa Scliar. Um espaço de diversão audiovisual que se consagrou desde a fundação da Sala Nelson Pereira dos Santos, trabalho realizado com esmero, pela equipe da casa. Depois de recebermos o convite para sediarmos o Cine Mosquito lá, o evento vem aumentando de  público e já conta com fãs que, todo mês, visitam o mais antigo cine clube de Cabo Frio.
Fundado em 2008, o Cine Mosquito surgiu com o intuito de circular por bairros de Cabo Frio, fazendo suas exibições em bairros e espaços não convencionais. Com o fortalecimento da legenda, o evento passou a circular, também, pela região dos lagos, fazendo algumas exibições em Arraial do Cabo. Devido à crise na PETROBRÁS e completamente sem apoio para continuar funcionando, o Cine Mosquito passou a viajar pelo país, chegando ao Rio Grande do Sul, na cidade de Bento Gonçalves, onde chegou a acontecer duas vezes. Depois foi parar no norte do Brasil, em Macapá, por duas vezes, passando por Brasília.
Apesar de tantas viagens, o evento nunca deixou de acontecer em Cabo Frio, onde era respaldado pela Associação TRIBAL, que sempre ajudava o evento, oferecendo alguma logística para que ele funcionasse na casa das pessoas, principalmente.
O amor pelo Cine Mosquito era tão grande que o poeta Flavio Machado, ofereceu o espaço de igreja onde frequenta, por duas vezes, além de oferecer, também, sua casa. As peripécias do evento foi crescendo e aos poucos se tornando uma lenda na região. Tornando-se famoso, pelo fato de ser um cine-clube que sempre tem, em sua abertura, jogos e brincadeiras ligadas a cinema.
Desde que foi para a Casa Scliar, em novembro de 2014. O evento passou, também, a incluir em sua programação, além das já badaladas brincadeiras de mímica de filme, contação de filmes, poesia e varal artístico, agora, conta com a participação do Curta Teatral, uma cena teatral curta antes do início das cessões audiovisuais. Outro grande atrativo do Cine Mosquito, na Casa Scliar é a exibição sistemática de filmes indígenas. A ideia pegou e já tem jovens que não abrem mão do primeiro filme a ser exibido a cada sessão, ser feito por cineastas aborígenes brasileiros.

Sempre se reinventando, o Cine Mosquito já ultrapassou 50 cessões desde que foi fundado em 2008.