
NESTA ENTREVISTA
Alex fala de seu novo filme "O Relógio do Meu Avô", um documentário sobre como os sobreviventes do holocausto encontraram no Brasil uma nova pátria!
Jiddu Saldanha – O que te inspirou a buscar uma carreira artística? Você tinha exemplos na família? Foi um toque mágico, um desejo, fala sobre isso.
Alex Levy Heller - Quando tinha 12 anos de idade fiz uma peça de teatro da escola. Um jornalista do O GLOBO foi assistir e me entrevistou. Uma de suas perguntas era se eu seguiria carreira de ator, e eu respondi que não, “queria ser veterinário”. Cheguei a cursar Zootecnia na UFRRJ, mas o vírus do teatro me pegou. Larguei a Zootecnia e fui para os EUA estudar Artes Dramáticas. Desde pequeno estive envolvido com as artes. Minha avó é escritora, poeta e pintava quadros que meu avô vendia de porta em porta. Nos EUA fui ator (ainda sou, nenhum ator deixa de ser), diretor de TV (KYNE-TV, UPN, ESPN), e produtor cultural. Quando retornei ao Brasil, busquei oportunidades em cinema. Eu sabia que o cinema nacional estava crescendo. Resolvi embarcar nessa, e começar do zero. Minha primeira grande oportunidade foi com o diretor Cao Hambrguer no filme “O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias” e em seguida com a Tatiana Issa e Raphael Alvarez no documentário “Dzi Croquettes”.
JS – Na tua opinião, ser diretor, ator, cineasta está a serviço de alguma missão específica? Neste caso, qual seria a tua missão?
ALH - Não dá para fazer arte por arte. Isso é enganação. Qualquer expressão artística deve carregar algum significado. Pode ser profundo, superficial, global, pessoal... mas deve dizer algo a quem aprecia, do contrário não faz sentido. Não sei se missão é a palavra certa, eu acredito que todo artista tem seu dever e espaço na sociedade. O dever deve ser cumprido e o espaço ocupado. Acredito nisso.
JS – Quais os filmes e diretores que te inspiraram e se tornaram referência para você, cite alguns.
HLH - Meus diretores favoritos são Akira Kurosawa e Werner Herzog. Alguns filmes referências são: “Aguirre e a Cólera dos Deuses” , “Nosferatu” (ambos do Herzog) e “Dersu Uzala” , “Sonhos” , “Ran”, “Kagemusha” (todos do Kurosawa). É claro, existem outros filmes que me inspiram, mas estes dois diretores são as minhas principais fontes.
JS - Um documentário sobre o holocausto, onde você encontrou coragem para tanto? O tema é complexo, profundo e toca fundo, não? HLH - No início era uma questão pessoal. Resgatar o relógio do meu avô perdido, escondido nas entranhas da Transilvania. Porém, durante as filmagens, ao entrevistar um sobrevivente de Auschwitz, percebi que o filme não poderia mais transitar apenas nesta esfera. O tema era muito mais abrangente. A história do Holocausto deveria ser contada para jamais ser esquecida. A busca pelo relógio do meu avô se tornou uma metáfora para o resgate de minhas origens, minha identidade judaica e brasileira. Corajosos são os sobreviventes que nas entrevistas encontraram forças para relembrar um passado sombrio e trágico e compartilhar tudo no filme.
JS - Quem você gostaria que visse o filme “O Relógio do meu Avô”? Existe preferência por algum tipo de público específico?
ALH - Gostaria que aqueles leigos e ignorantes que não conhecem a história do Holocausto assistissem ao filme. Desejo que grupos intolerantes e preconceituosos assistam ao filme. Quem sabe, eles mudam de idéia....
JS – Como você vê o cinema nacional atualmente? O que realmente mudou? Como você se vê neste novo contexto?
ALH - O cinema nacional continua sendo impulsionado por meios de leis de incentivo à cultura. A produção de filmes aumentou, e o público passou a procurar mais os filmes brasileiros. O desafio agora é em relação à distribuição e espaço em salas de cinema. Como Diretor Executivo do Brazil Film Festival – Austrália e Luxemburgo e do Circuito Brazil Visual de festivais de cinema brasileiro no exterior, minha função é criar mercado para as produções nacionais no mundo. O filme brasileiro apesar de ser bem apreciado no mundo, não consegue ocupar um espaço comercial e não chegam às salas de cinema como os filmes argentinos por exemplo. Aprendemos a fazer filmes de qualidade, agora temos que aprender a comercializá-los. Porém, enquanto continuarmos a depender das leis de incentivo, a indústria cinematográfica do Brasil não vai muito além. Filmes como “Nosso Lar” que não usufruiu de nenhuma lei de incentivo, são exemplos de que nem sempre é necessário o incentivo fiscal para ter retorno financeiro. Somente assim a indústria caminhará sozinha. Por enquanto ainda dependemos do governo e das leis de incentivo.
JS – Quem é Alex Heller por Alex Heller?
ALH - Ah! Isso eu não sei responder....
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