segunda-feira, 18 de maio de 2009

LUIS SIMPSON – CABO FRIO /RJ

Dentro da linguagem cinematográfica, Luis Simpsom confessa gostar de Direção de Fotografia. Morou nos EUA onde estudou, no Brasil concluiu a faculdade de cinema, viajou para a Angola, onde trabalhou em projetos de audiovisual.
Seus filmes primam por acabamento e excelência em cada detalhe. Vamos conhecer melhor, este Cabofriense que tem feito bonito pelo mundo a fora!



Luis Simpson no estúdio em Luanda - Angola


Cine Mosquito – Como foi que você se interessou pelo audiovisual?

Luis Simpsom - É difícil achar alguém que não goste de cinema. Eu sempre gostei de assistir filmes, documentários, propagandas, bem antes de pensar em trabalhar nessa área. Quando criança gostava de tirar fotos, principalmente de paisagens. Aos 18 após tentar vestibular sem sucesso para direito fui morar nos USA, lá tive a oportunidade de estudar fotografia e comprar alguns equipamentos, na volta para o Brasil fiz a faculdade de cinema onde desde o primeiro curta trabalhei como diretor de fotografia, nessa época tive então a certeza do que gostaria de fazer como profissão.

CM - O que você gosta de assistir? Quais os filmes e cineastas que te influenciaram?

LS - Gosto de quase tudo, desde os filmes americanos comerciais até os filmes “cabeças” franceses, depende de como estou me sentindo. Já passei por algumas fases. Durante a faculdade conheci os filmes clássicos e importantes diretores como Orson Welles, Kiarostami, Godard e Truffautt. É incrível o que os caras fizeram numa época sem muitos recursos, sem contar os tipos de linguagem cinematográfica criadas por cada um deles. Hoje em dia dizem que nada mais se cria no cinema, tudo se copia. Uma união de coisas que já foram feitas por alguém, provavelmente por um dos muitos diretores geniais que tivemos ao longo da história. Cada filme, visto e estudado é uma influencia em algum momento na vida, mas acho que a maior influencia que tive foi dos diretores brasileiros como Walter Salles e Fernando Merelles, principalmente pela importância que eles tiveram no renascimento do cinema brasileiro.

CM – A linguagem cinematográfica é cheia de atrativos, desde a direção de arte, fotografia, cenografia, câmera, etc... o que você mais gosta de fazer, relacionado à criação de um novo filme?

LS - Acaba que tudo se interliga em algum momento. O segredo é a Direção, Direção de Fotografia e Arte estarem sempre em sintonia. Gosto de fazer a fotografia por diversos motivos. Nela é discutida desde o “tom” do filme até a movimentação dos atores (misen scene), movimento de câmera, cortes, planos seqüências, é tudo uma questão de linguagem que tem que ser bem definida. Uma história pode ser contada de diversas maneiras e geralmente é o diretor e o fotógrafo que decidem isso. Acho que eu como fotógrafo tenho a função de tornar possível (tecnicamente) todas as “viagens” do diretor e roteirista, mas também sugerir coisas que podem facilitar a filmagem ou acrescentar em algo na cena. Gosto de trabalhar com diretores que são abertos a sugestões, que interagem com a equipe, geralmente o filme ganha muito com esse tipo de atitude.

CM – Fale um pouco dos filmes que você participou, qual deles você gostaria de destacar aqui e porque?

LS - Cada trabalho que fiz tem um pouco de mim, isso é, gosto de todos, mesmo os mais simples, por que sei das dificuldades que tive ao faze-los. É sempre muito trabalhoso! Requer uma entrega total até que a obra seja finalizada, deixando de ser sua, ganhando vida própria. Tive o prazer de fazer trabalhos de linguagens bem distintas como foto filme, stop motion, mas se perguntar para 10 cineastas o formato que mais gostam de trabalhar, os 10 vão dizer que nada se compara ao som da película rodando. Os 24 frames por segundo registrando o momento que geralmente é bem ensaiado, falhas representam grande prejuízo. Sendo assim, o filme “Hera” meu primeiro curta 35 mm é o que considero mais importante. Pudemos explorar o que a arte pode oferecer ao extremo, sem realismo. Esse filme foi bem nos festivais abrindo de certa maneira uma porta importante para mim no mercado. Destaco também um trabalho que fiz em Portugal. Uma mini série sobre os Templários. Pude contar com equipamentos HD de ponta que proporcionaram lindas imagens, quase todas feitas em locações incríveis. Filmamos muito em castelos, igrejas romanas, florestas e casas antigas. Foram cinco meses de muito trabalho, as vezes 24 horas sem parar, mas no final tudo sempre vale a pena.


Em portugal, trabalho meticuloso, utilizando equipamento digital de última geração, numa mini-série sobre os templários.

CM – Você trabalhou numa grande emissora de TV depois foi trabalhar na áfrica, que tipo de perspectiva você vê dentro da arte cinematográfica em relação ao Brasil e Angola, por exemplo?

LS - Estamos muito avançados em relação a quase todo o mundo. Os brasileiros se destacam em todos os lugares que vão. Acho que porque trabalhamos muito aqui. Sem hora para acabar. vamos nos especializando em cada função. Não é assim em todos os lugares. Em angola tem muito português fazendo novelas e tv, mas eles não sabem a metade do que os brasileiros sabem ( Mais a questão do “felling”). Em fim, vejo um mercado em angola e áfrica em geral muito promissor. Hoje em dia, além da internet, temos vôos diários para lá. O intercambio de idéias e profissionais está cada vez maior. Conheci muitas pessoas e histórias quando morava lá. Escrevi alguns roteiros e pesquisei outros tantos fatos que gostaria de documentar. 30 anos de guerra é algo que não se apaga facilmente. Pelo contrário. É importante registrar, seja como ficção ou documentário esse passado recente. Fora o passado antigo que é muito rico também. Minha preocupação também é retratar as coisas bonitas que eles tem para mostrar, mesmo diante de tanto sofrimento que o povo africano sofreu e continua sofrendo. Nós brasileiros devemos muito a eles nesse sentido. Saber festejar mesmo diante de tanta corrupção e violência. Onde já se viu um povo ferrado, cheio de dívidas ter uma cultura tão bonita, tantas festas e carnavais. O cinema brasileiro, assim como o africano tem muito futuro se souber beber dessa água cultural rica que brota nesses dois continentes.


Realizado em película, Hera, de Gustavo Beck, é um filme brasileiro onde
Luis Simpson, confessa ter sido uma de suas melhores experiências

CM – Quais são os filmes e autores que te encantaram dentro da sétima arte e que você gostaria de recomendar aos leitores do blog CINE MOSQUITO?

LS - Os filmes iranianos e indianos me surpreenderam muito, mas são tantos os títulos e autores de vários países que acaba indo mais para um lado pessoal. Cada um gosta de um estilo em particular. Sugiro ver tudo o que é possível. O que estiver ao alcance, pois mesmo aquele filme desconhecido e dito como chato por alguns pode te passar uma mensagem legal. Tenho amigos que assistem 3, 4 filmes por dia, se pudesse faria o mesmo.

CM – Quem é Luis Simpson por Luis Simpson?

LS - Hahaha, essa é a mais difícil de responder, até por que eu ainda estou descobrindo isso. O que sei é que não estamos aqui por acaso. Cada um tem uma missão nessa breve vida aqui na terra. Eu sempre me interessei pelos temas ambientais, tive isso muito forte em casa com a minha mãe. Recentemente tenho alguns projetos de documentários nessa área que espero poder ajudar nessa luta desleal na qual estamos vivendo contra os próprios humanos que ainda não acordaram para essa causa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Vicentini Gomez – São Paulo

Vicentini Gomez é de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Ele escolheu viver e exercer sua vida artística na grande São Paulo, hoje, cenário de sua produção e criação artística. Vicentini é uma referência de múltiplas linguagens artísticas. Sendo mímico respeitado e ator consagrado, seu trabalho em TV já é conhecido de nós brasileiros. Atualmente, também cineasta, Vicentini avisa que sua produção,vai bem, obrigado!
Vamos conhecer mais sobre este artista que, em breve, terá seus curtas exibidos no Cine Mosquito além de participação especial na mostra "Cinema Possível no Meio do Mundo" da Universidade Estadual do Amapá.





CINE MOSQUITO - Vicentini, quero te fazer uma pergunta diferente: Todos nós temos um cinema que nos marcou na infância, como naquele filme do Tornatore, “Cinema Paradiso”. Qual foi o teu cinema de infância?
Dá pra você traçar um breve retrato para nós dessa lembrança?


VICENTINI GOMES - A minha infância foi um pouco diferente de muitos de nossa área. Meu Pai era agricultor, e foi um dos desbravadores do norte do Paraná. Foi um dos primeiros cultivadores de “hortelã industrial” do Brasil. Então, vivi até os sete anos de minha vida na roça. Quando completei os sete anos fui estudar em Londrina, no Paraná, onde tive meu primeiro contato com o teatro, um evento de páscoa, a Professora, Dona Cecília, montou um espetáculo e me convidou pra participar. No ano seguinte fui estudar em Presidente Prudente, minha terra natal, e lá, sempre no primeiro domingo do mês, tinha uma matinée infantil. Lá encontrava os amigos, trocava gibis e assistia aos filmes da época. Então, o cine Presidente foi o marco de minha vida na sétima arte.

CM - Sendo um mímico respeitado e conhecido dos brasileiros, você vê interface desta arte com o cinema?

VG - Acho pequeno dividir o potencial das artes. Os campos são ilimitados e estão interligados pelas ações, pela emoção, pela beleza, pela prosa, pelas idéias...

CM – O Vicentini ator é conhecido de todos nós pelos espetáculos que fizeram história em São Paulo “Confidências de Um Espermatozóide Careca” é sempre lembrado, “Picardias do Picadeiro” viajou mundo... Mas você também é conhecido no âmbito do audiovisual, conte um pouco dessa história.

VG - Minha principal formação é direção. Então, a partir desta visão comecei a me entender como ator, depois conheci Ricardo Bandeira que me influenciou grandemente. Depois Bárbara Caster, me fez compreender a amplitude do corpo. Assim, mesclei a mímica clássica com o clown. Enfrentei o preconceito da época sobre as “coisas de palhacinho” e hoje, percebo que fui o precursor de muita coisa no Brasil. Mesmo o “Confidências de um espermatozóide careca”, que ficou doze anos em cartas, e que agora retomo em carreira, juntamente com outros humoristas da época, foi a plataforma dessa moçada que ta fazendo “stand-up”.
Como ator, fiz diversas incursões na televisão, sobretudo na TV Globo, onde representei personagens significativos como “Graça Aranha” em Um Só Coração e “Dom Cornélio” agora recentemente em Malhação, sem esquecer o “mímico” de Kananga do Japão, que funcionava como uma espécie de memória psicológica do personagem representado por Christiane Torloni e o divertido Domingos de Picara Sonhadora, no SBT.
Em 2000 redirecionei a minha vida para o áudio-visual, produzindo filmes curta-metragens, como “O Rio da Minha Terra”, “Paura”, “Sindromãnica!” e “Juqueriquere”, que ganharam diversos prêmios, inclusive internacionais. Agora estou empenhado em documentários científicos como a série “ConsCiência na Cultura”, veiculado pela TV Cultura de São Paulo, e filmes históricos, como o que acabei de produzir: Um épico: “Porto Das Monções”, sobre a história da cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, marco do povoamento do Oeste Brasileiro.
Está em fase de finalização o filme “Os Caminhos de Sorocaba” um docudrama para Crianças, com linguagem mista, representado por atores mirins, atores e desenho animado em 3D.

CM – Na tua percepção, o que pra você, pode ser considerado um bom filme?

VG - Hoje, apesar das diversas linguagens e possibilidades de se produzir áudio-visual: Com aparelhos celulares e até máquina fotográfica, um bom filme continua sendo aquele que te conduz durante toda a projeção para dentro dele. Deverá ter simplicidade, uma história interessante, com personagens interessantes, trilha interessante e ... tudo de mais interessante, que o espectador possa assistir emocionado, rindo, provocando medo, ou com interesse naquilo que está sendo exibido.

CM – Como você vê o papel nas novas tecnologias dentro da linguagem cinematográfica, hoje?

VG - Como disse, na resposta anterior, será sempre muito bem vindo qualquer tecnologia ou elemento inovador, mas o filme, deverá ter aquilo que é principio do sentimento humano: humor, ternura... e sempre apaixonante em todos os sentidos.

CM – Que filmes você recomendaria para o leitor do blog e freqüentador do cincelube Cine Mosquito?

VG - Papilon foi o filme que mais assisti. Acho que umas vinte vezes e assistiria tantas outras vezes. As Pontes de Madson, Menina de Ouro...

CM – Quem é Vicentini Gomez por Vicentini Gomez?

VG - Um operário da arte: Ator, Autor, diretor, iluminador, produtor... Certa ocasião Alberto Guzik, então crítico do Jornal da Tarde/Estadão, escreveu: “Vicentini, um camaleão do teatro”. E eu gostei desta definição.

Para navegar no site de Vicentine Gomez (clique aqui)
Para assistir o filme de Vicentini Gomez "O DIA EM QUE EU MORRI"! (clique aqui)

quarta-feira, 4 de março de 2009

RAVI ARRABAL – Cabo Frio /RJ

Jornalista, ator e apaixonado por cinema, Ravi Arrabal é antenado e atuante. Vamos conhecê-lo um pouco nesta entrevista curta.

Ravi Arrabal - 2009

Cine Mosquito - Ravi, fico curioso em saber qual é, de fato, a relação que a tua geração tem com o cinema enquanto arte e linguagem, fale um pouco disso!

Ravi ArrabAl - A minha geração, pelo menos a nascida após 85, tem uma relação muito intensa com o cinema. Nós vimos crescer o advento das babás eletrônicas, e muitos de nós fomos criados de olho na tela de tv acompanhando, mesmo que por osmose, todas as (re)-evolucões digitais. Enquanto arte temos o cinema como um espelhamento de nossas relações cotidianas, quando muitos se vêem nos personagens ali na tela, ora adotando para si, gostos, gestos, trejeitos, vícios, falas.
Enquanto linguagem, nos apropriamos de seu caráter não linear, cortes secos, mudança de planos e ação. Muita ação. Seja nas relações não lineares via MSN, seja na constante busca por diversos estímulos. O cinema trouxe para nós um mundo compartilhado, baseado em simulações.

CM – Fala um pouco da tua experiência com o audiovisual.

RA - Comecei ainda quando criança, brincando com câmeras vhs, s-vhs. Eu e o Mainhard gastávamos nossas tardes fazendo pequenos filmes simplistas, e também em casa fazendo truques de mágica com meus irmãos (tudo baseado no stop-and-go da câmera). Também por fazer teatro, sempre estive muito ligado e interessado em artes dramáticas, buscando conhecer e ler de tudo um pouco. Com o passar dos anos, fui me aprimorando sensível e tecnicamente, até que surgiu a vontade/necessidade de começar a praticar aquela até então brincadeira com um pouco mais de seriedade. Mesmo que só um pouco. Hoje em dia tenho tido oportunidade de por em prática todas essas questões sensíveis, e junto à parcerias fundamentais, construir um pouco da história do cinema de Cabo Frio.

CM – Fale um pouco do panorama cinematográfico de Cabo Frio.

RA - A cidade está passando por um momento interessantíssimo, com o surgimento recente de diversos grupos e amantes do cinema, que estão buscando explorar diversas linguagens, especialmente no âmbito dos curta-metragens. Há uns anos, o único que se poderia considerar cineasta era o ex-secretário de cultura Milton Alencar, que apesar de ter um cargo que cabia um ação efetiva, pouco incentivou a prática e o aprendizado desta arte na cultura cabofriense. À partir daí, muitos por iniciativa pessoal, começaram individualmente a dar os seus primeiros passos. Nesses últimos 2, 3 anos, o surgimento do Taberna Filmes, do projeto Cinema Possível, os cineclubes organizados pela TRIBAL (Cinetribal), mais a chegada de outros cursos e oficinas de cinema (Oficina Tela Brasil e Humano Mar) tem impulsionado e divulgado ainda mais esse "cinema novo" cabofriense!

CM – Quem são ou foram seus filmes e cineastas preferidos?

RA - Pergunta cruel. Impossível de responder... Me pergunto isso todo dia, e não consigo fazer uma lista, um top 10. Seria injusto, e deixaria muito filme e cineasta bom de fora! rsrs

CM – Quem é Ravi Arrabal por Ravi Arrabal?

RA - Um móbile solto no furação.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

ENTREVISTA CURTA COM SEBASTIÁN MORENO – ARGENTIMA


Conhecemos Sebastián Moreno na cidade de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, onde vimos pela primeira vez seu filme "Thalitha" criado em parceria com Damián I. Valdes. Thalitha foi também exibido no 4º Cine Mosquito, em Cabo Frio.
Vamos conhecer um pouco as idéias deste jovem cineasta nesta entrevista curta.

CINE MOSQUITO - ¿Cómo se interesó por el cine?

SEBASTIÁN MORENO - Nos encontrábamos con Damián Valdés (amigo y compañero en la dirección de Talitha) ante el deseo mutuo, urgente y desesperado por querer “hacer”… charlando sobre fotografía y teatro (actividades que compartíamos) decidimos emprender el proyecto de realizar un trabajo audiovisual. Comenzaron las reuniones y las ideas se fueron acomodando. Como ésta fue nuestra primera experiencia en cine, resolvimos comenzar a partir de la fotografía, durante un mes salimos a la calle a fotografiar los escenarios que luego usaríamos en el film.
Quise hacer un film que se reconozca como cine de autor, que es el cine que me interesa mayormente, rechazando las convenciones comerciales o académicas por estar vacías de arte.

CM - Háblenos uno poco del nuevo cine argentino.

SEBASTIÁN MORENO - No creo que exista un “nuevo” cine argentino, entendiendo nuevo como un cambio. Hace por lo menos 10 o 15 años que hay una producción grande y constante de buen cine, tanto largometrajes como producciones menores. Sobre todo en Córdoba, Rosario y Buenos Aires, existen variados festivales y encuentros que denotan el trabajo. Particularmente no he visto muchos trabajos que me gusten, aunque reconozco el compromiso con el que se trabaja. Estoy seguro de que Argentina es un lugar excelente para estudiar o trabajar en cine.

CM - ¿Qué es lo que el film Talitha representa para usted?

SM - Talitha es la expresión de un trabajo grupal, con Damián nos embarcamos en un proyecto ambicioso y fueron 9 meses donde mucha gente nos acompañó y se comprometió con el proyecto. Es mi mejor aprendizaje e incentivo para seguir trabajando. Lo que quisimos hacer lo logramos, con recursos artesanales y sin presupuesto. También se convirtió en una puerta a otras experiencias.





CM - ¿Cómo es la experiencia de dirigir un film que habla de un grande de la lengua portuguesa?

SM - Pessoa es como un gurú para mi. Recuerdo utilizar el Libro del Desasosiego como si fuera el I Ching, ahí estaba la respuesta que buscaba. La Tabaquería, el poema que utilizamos en el film, es genial, un poema universal y revelador. Logró lo mas difícil, hacer del film una unidad y a la vez darle independencia a cada escena. En principio queríamos filmar escenas distintas entre si, que cada una tenga su fuerza y que el espectador pueda identificarlas y apreciarlas individualmente. Pero tambien deseabamos conectar esas escenas para no perder la atención y permitir la construcción cinematográfica. Esa unión se logró con una escena que se repite, en la que se escuchan fragmentos de La Tabaqueria, con una mujer encerrada y mirando por una ventana, que nosotros llamamos La Tejedora de Sueños. De alguna manera el poema abarcó el film, a
pesar de no estar basado en él.

SM - ¿Cómo usted ve el papel de las nuevas tecnologías dentro del arte cinematográfico?

SM - Diría que contradictorio. He escuchado muchas veces que hay que volver al cine en blanco y negro, y también he visto superproducciones que me hacen creer que ese retroceso puede ser una necesidad para lo artístico. La tecnología no debería ser fundamental para hacer cine, sino una herramienta importante. Con cualquier tipo de cámara y sin efectos especiales se puede hacer cine y si hay sinceridad y compromiso seguramente va a ser mejor que cualquier producción industrial. Hay grandes directores que utilizan sólo efectos artesanales para sus peliculas y son tan maravillosos como lo que se puede hacer con una computadora o con mucho dinero en escenografía. Creo que para hacer cine o mas bien arte se necesita sinceridad, compromiso, trabajo y amor. Luego con buenas ideas todo se resuelve.

Para conhecer o site de Sebastian Moreno (clique aqui)

Esta entrevista é uma parceria do blog Cine Mosquito com escritor chileno Leo Lobos

domingo, 8 de fevereiro de 2009

6º Cine Mosquito!


Na casa da Tatiana Prota, reunidos para ver uma sessão de filmes do Cine Mosquito, nosso Cine Clube Intinerante!

Uma mudança de ultima hora na programação. Uma das mídias estava falhando e decidimos substituir o filme em questão pelo belíssimo filme “Curtindo a Vida Armado”, de Manu Castilho. Foi tudo de bom poder ver um filme bem acabado, com um elenco de primeira e uma produção esmerada onde tudo pareceu estar em harmonia, proporcionando uma obra bem acabada. Parabéns para o pessoal da Macarronada produções!
Momento raro foi a presença de Luis Simpsom, diretor de fotografia, que mostrou seus belos filmes, todos muito bem produzidos e com uma carga dramática e poética de tirar o fôlego. Até mesmo os filmes institucionais, nos deixaram impactados. a qualidade de cada fotograma e montagens belas com resultados promissores. Luis Simpsom é um talento criativo e rico em generosidade. Todos ficamos gratos por sua presença e por compartilhar seu trabalho com o pessoal do Cine Mosquito.
O 6º Cine Mosquito marcou mais uma etapa e abriu novas possibilidades para articularmos uma rede paralela, formada para prestigiar filmes de qualidade e permitir que descubramos nossa força e capacidade de participar e contribuir para ajudar a escrever a história do novo cinema brasileiro.
O que falamos aqui não é nenhum sonho panfletário de artistas frustrados, e sim, a nítida certeza de que estamos abrindo espaço para mais um capítulo na busca da disseminação de cultura, diversidade e muitos filmes!


Para conhecer nossa comunidade no ORKUT (Clique aqui)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ENTREVISTA CURTA COM JOSÉ FACURY – Cabo Frio / RJ

Sua história completa começa no Maranhão, terra onde nasceu e participou dos movimentos sociais e culturais. Depois veio para o Rio de Janeiro e enfrentou a ditadura usando a força de seu teatro. É fundador do grupo Teatral Creche na Cochia, que já tem 30 anos de história!
Vamos conhecê-lo melhor nesta ENTREVISTA CURTA.



Cine Mosquito – Facury, certa vez alguém me disse que o ator de teatro brasileiro vê mais cinema do que teatro em si. Na tua percepção, a quê se deve essa visão?

José Facury - O ator é um ser como todos. A facilidade que temos de ver cinema é bem mais ampla do que ver teatro. Também nós somos menos críticos às péssimas interpretações no cinema/ tevê e excessivamente exigentes com o ator no teatro. Já o público comum é bem menos exigente com o ator no teatro, para ele, a necessidade de entender a trama o absorve mais do que os detalhes interpretativos.

CM – Que tipo de semelhança você vê entre a cenografia para o cinema e para o teatro?

JF Muitas, logicamente dependendo do tratamento dado ao filme. Na maioria dos tratamentos cinematográficos a cenografia é ambiental. Já na maioria das encenações a cenografia é mais escultural onde os elementos se instalam sugerindo superficialmente aquilo que possa ser exigido em termos de ambientação

CM – Fala um pouco da tua relação com o ver/fazer cinema.

JF - Adoro ver cinema e já o estudei. Fui diplomado em um dos melhores cursos já feitos no Brasil, no Museu de Arte Moderna na década de setenta. Foram dois anos de muito estudo e muitas realizações. Ali estava querendo largar o teatro, mas na época, fazer cinema era muito caro e voltei ao teatro. Agora o andam banalizando demais. Gosto da democratização do uso da câmera e da utilização da linguagem em pequenos circuitos, mas ser cineasta como muitos se dizem sê-lo, são outros quinhentos.

CM – Fique a vontade pra falar dos seus filmes e cineastas preferidos.

JF - São muitos e todos deles: Chaplin, Orson Wells, Fellini, Bunuel, Fassbinder, Nelson Pereira, Tim Burton, Spike Lee, Greenwey, Eastwood, Scorcese, Tarantino, Coppola, Fernando Meirelles etc etc etc

CM – O que você acha que pode melhorar, no panorama do cinema brasileiro?

JF - Acho que o cinema brasileiro está no rumo certo, passada as ondas das chanchadas, da nouvelle vague tupiniquim, do hermetismo simbólico, do ufanismo histórico nacionalista, do pornô e da violência urbana estamos agora no caminho de uma linguagem brasileira que é a soma de todas essas fases que passamos. Que é exatamente o que somos.

CM – Quem é José Facury por José Facury?

JF - Um ser que cada dia acha que sabe menos e que não terá tempo de aprender tudo que precisa para contribuir mais maduramente para a nossa cultura. Um ser que, cada vez mais, anda intolerante com a imbecilidade reinante dos oportunistas da arte nesse mundo moderno.


Para participar da comunidade de José Facury, no orkut (clique aqui)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

ENTREVISTA CURTA COM INEZ CABRAL – Rio de Janeiro / RJ

A cineasta Inez Cabral, empresta ao blog Cine Mosquito, sua maneira direta de falar. Quem teve a honra de ter uma aula de roteiro com ela, aprendeu algo pra toda vida. Mais do que isso, sua atitude é sempre pela franqueza tudo o que ela diz faz a mediocridade passar muito longe! Vamos então, conhece-la nesta entrevista curta.

Com seus alunos, na escola Darcy Ribeiro. A Cineasta Inez Cabral... (Foto de Lidiane Cosmelli).


Cine Mosquito – Como surge o interesse por cinema em sua vida? Foi uma paixão de infância que se perpetuou ou uma escolha profissional da juventude?

Inez Cabral - Essa sempre foi minha paixão maior, desde a primeira vez que fui ao cinema (lembro até hoje, o filme era: "Gigi", com Maurice Chevalier e Leslie Caron.) Mais tarde, veio substituir para mim, o que outros procuram na religião, nas drogas ou até no esporte.

CM – Na tua percepção, existe algum tipo de “cinema” que podemos dizer ser o “melhor do mundo”? Neste caso, qual seria?

IC - O melhor "cinema" do mundo para mim não existe, só distingo entre filme bom e ruim.

CM – Sendo filha do poeta João Cabral de Melo Neto - conhecido como uma das mais importantes vozes da língua portuguesa - existe um paralelo entre a obra dele e o cinema que você faz? Em que pontos a sua obra e a de João Cabral dialogam?

IC - Ai que mania! Até que ponto o que você faz tem a ver com seu pai? Meu diálogo com ele era ao vivo. O que ele me proporcionou? Pelo fato de ser diplomata, intelectual e exigente, ele me deu a base cultural que me permitiu conhecer grandes filmes e diretores incríveis. Quando ele assistiu meu primeiro curta, seu comentário foi: "Dá para ver que você é minha filha, e exerce a linguagem "a contrapelo" ou será "a contra-pelo"? Ai, esses acadêmicos!!!

No estúdio da escola Darcy Ribeiro, Inez Cabral dá uma aula de introdução ao audiovisual!(foto de Lidiane Cosmelli)

CM – O que você gosta de assistir? Quais os filmes e cineastas que te influenciaram?

IC - Gosto de assistir tudo, desde que seja competente. Detesto a famosa frase de Glauber Rocha (que só funcionava com ele) "Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão". Quantos horrores foram cometidos por quem acreditou nisso! (Só prefiro não citar nomes tá? ;))
Quanto a diretores que eu amo, listo alguns: Buñuel, Truffaut, Bergman, Milos Forman, Fassbinder, John Ford, Orson Welles, G. Tornatore, Fellini, Kurosawa, filmes coreanos quase todos (desculpa mas não consigo decorar nome oriental :(, Eisenstein, um ou outro Godard, algo de W. Allen, Q. Tarantino, Robert Rodriguez, Gus Van Saint, Scorcese, Lars Von Trier, e mais um monte deles...

CM – Fale um pouco do seu trabalho como professora/educadora. Como é, lidar com a “doçura” juvenil dos novos alunos que lhe chegam todos os dias, sabendo ser o cinema, uma arte tão complexa e que depende tanto de fatores tecnológicos?

IC - Quanto a meu trabalho de professora, quem pode falar são meus alunos. Adoro o olhar juvenil, a curiosidade, os pontos de vista sem a covardia dos mais velhos. O mais difícil é lidar com a arrogância inerente à juventude (já dizia Oscar Wilde: "Não sou jovem o suficiente para saber tudo").

CM – Como você vê a inserção das novas tecnologias hoje, no aparato Cinematográfico, causando um certo alargamento e uma possível perda de controle das referências do cinema como instinuição?

IC - As novas tecnologias vieram para democratizar o cinema, o "Cinema possível" agora é viável, não é? Mas acho que essas tecnologias vieram trazer outro tipo de problema: antigamente, quantas idéias se perderam pq o criador não soube vencer a resistência ao novo exercida pelos donos da grana. E hoje, com essa democratização (aí está o youtube que não me deixa mentir) quanta gente sem a mínima percepção visual, sem o mínimo conhecimento de nada se sente um grande cineasta, não é?
O que me consola, é que cada dia se filma mais, o que acredito deva propiciar o surgimento de novos talentos. É uma questão de separar o joio do trigo. (chato é a quantidade de joio com relação ao trigo, mas suponho que isso seja normal). Então, o que vem acontecendo é que cada um é seu próprio espectador e seu próprio fã. Acho que com o tempo, as salas de exibição se tornarão obsoletas, ou melhor, só funcionarão para o dito cinemão de milhões e milhões de dólares, enquanto a linguagem audio visual, crecerá em salinhas pequenas, ação entre amigos, essas coisas. Talvez se torne cada vez mais difícil manter-se em dia com a produção mais criativa, mas: Viva a Internet! Apesar de tudo, eu acredito no futuro...

CM – Quem é Inez Cabral por Inez Cabral?

IC - Vim ao mundo para descobrir. Às vezes me sinto como um personagem de Milos Forman, daqueles que adoram dar murro em ponta de faca (tipo Estranho no Ninho, o hippie de Hair, o protagonista de Ragtime).

Veja a Lista de Filmes de Inez Cabral

· Lá vai uma lista, não necessariamente na ordem, e claro, não estão todos:
· Dogville (Lars Von Trier)
· O fantasma da liberdade (Buñuel)
· O anjo exterminador (Idem)
· Amarcord (Fellini)
· Janela indiscreta (Hitchcock)
· Old Boy (ai meu problema com nomes orientais!)
· A casa vazia (idem)
· Lanternas Vermelhas (Zang Yimou... acho que escrevi certo)
· Cidadão Kane (O. Welles)
· A paixão de Joana D'Arc (Dreyer)
· Esses são apenas alguns, na verdade são muitos mais.



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