quarta-feira, 5 de março de 2014

CENAS DE DESPEDIDAS EM FILMES DE GUERRA.

O Dia em que Fui para a Guerra.

Uma crônica criada para o blog "Shampu de Arte", onde faço uma reflexão sobre as despedidas nos filmes de guerra. Momentos de forte emoção, clichê somente superado pelo retorno do soldado.

***

O filme “Girassóis da Rússia” de Vittorio de Sica, apresenta momentos inesquecíveis. A tomada inicial com uma música de Henri Mancini varre com a câmera um vasto campo de girassóis. Em seguida, a trama perfeita, com ótimo roteiro, belas panorâmicas, travellings, plongées, e tudo que um bom filme tem direito. Montagem, excelentes atores, fotografia correta, narrativa enxuta, planos inesquecíveis e os memoráveis artistas italianos (ah, o cinema Italiano, que saudade): Sophia Loren e Marcello Mastroianni, dignitários desta tão magestosa, bela e profunda arte; a arte de ator.

Girassóis da Rússia - Um dos maiores clássicos de
filmes de guerra de todos os tempos - 1977
Mas o que me chama a atenção nos dramas de guerra são as despedidas. A cena na estação, quando Antonio (Marcello Mastroianni) se despede de Giovanna (Sophia Loren) é de dilacerar a alma; como diria o poeta Chacal, é simplesmente “a tripa da víscera”. Já revi esse filme dezenas de vezes e quando chega o momento da despedida na estação, quem está indo para a guerra sou eu. Abraço minha esposa, minha filha, meus amigos, faço um cafuné no cachorro, dou uma piscada para meus gatos e sigo, com um fuzil e imensa baioneta pendurado ao ombro. O cantil de água, algumas granadas penduradas na cintura, aquela farda que nunca sei direito se é verde ou azul e que está sempre bem passada. Vejo uma neblina e faz muito frio (a cena sempre acontece em Curitiba). O trem, é daqueles que solta bastante fumaça e faz muito barulho.
Esta semana assisti o filme “A Menina que Roubava Livros”, e dessa vez, o deleite, foi ver a ótima interpretação do ator australiano Geoffrey Rush. A delícia deste filme é que, apresenta todas as qualidades mostradas no filme “Girassóis da Rússia”, e tem um sabor a mais: As cenas de despedidas são três, e todas memoráveis, talvez isso explique porque este filme será, a partir de agora, um daqueles que sempre irei rever, pois nele, sinto a vontade explicita de partir por três vezes consecutivas e depois regressar para o pesadelo da existência, só que, extasiado.
"A Menina que Roubava Livros", com três cenas de
despedida, tem também uma linda cena de regresso,
clichês que não pode faltar num drama de guerra.
Por falar em regresso, nada é mais bonito do que ver as personagens dos filmes de guerra voltando pra casa. Os filhos estão grandes e geralmente a esposa casou com outro homem, quando isso não acontece, a cena pode ser ainda mais catártica e promover aquele belo encontro que culmina num abraço bem apertado no melhor estilo de “E o Vento Levou”.
Eu realmente amo os filmes de guerra, talvez, porque através deles, consigo expressar um pouco da minha masculinidade perdida neste imenso deserto que se tornou a vida humana do homem. O clima pessimista sempre faz a gente sentir um estranho prazer que só se compara ao som de um fado. A ideia de que nada tem solução, de que a vida valeu a pena pelo que foi e nunca pelo que se idealizou. Ver a decepção estampada nos olhos da população civil, enquanto guerreiros desorientados parecem lutar por uma ideologia que nunca irão entender de fato.
O filme de guerra sempre me arrebata. Cada vez que assisto um, vou junto com ele até o inferno; passeio pelos campos gelados da Rússia, as planícies mais distantes da Turquia, as montanhas misteriosas da Grécia. Naufrago no oceano pacífico, reapareço em uma praia qualquer do mediterrâneo, mergulho fundo num submarino, em pleno atlântico e me deparo com os olhos azuis, castanhos, rasgados e lábios besuntados de bathon daquelas atrizes sempre glamourosas, magras e muito pálidas, com uma pintinha do lado esquerdo do lábio superior. Não sei porque, mas as atrizes de filmes de guerra sempre se parecem, com a Latícia Sabatella!
"Eterno Amor" - Marca como um grande retorno
do cinema francês. Um drama de guerra onde
a procura pelo amado atravessa o filme e vai
direto na víscera do expectador.
Não são poucas as vezes que em minha cabeça, revejo todos os filmes de guerra ao mesmo tempo: “Dr. Jhivago”, “Cavalos de Guerra”, “O Resgate do Soldado Ryan”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Flores do Oriente”, “Conspiração em Xangai”, e neles, me consolo nos braços das belas atrizes glamourosas de Hollyood e tantos outros lugares onde o cenário é a guerra que parece estar sempre dentro de mim e me levando com ela, para lutar ferozmente contra algum inimigo, em nome do que acredito, e defendendo algum tipo de ideal.
O filme de guerra bom é aquele que tem um amor impossível. No “O Beijo da Mulher Aranha”, Valentin, o personagem de Raul Júlia, sonhava com a mesma mulher e era sempre ela que estava nas situações mais perigosas e diante de amores impossíveis; hora ajudava a resistências francesa contrariando o sentimento de amor por um Alemão nazista, ou então, não passava de uma guerrilheira oculta nos porões da ditadura brasileira. Sonia Braga está eterna e impagável neste filme, talvez, só superada por Ana Schygulla nos filmes imortais de Fassbinder, como nos clássicos “Lili Marlene” e “O Casamento de Maria Brown”. Esses filmes me levam às lágrimas até hoje, ainda que nenhum pesadelo tenha superado a agonia de Audrey Tautou, no profundo, belo e amargurado “Eterno Amor” de Jean-Pierre Jeunet, neste filme, a bela musa francesa, busca de seu amor perdido pelas trincheiras da primeira guerra mundial.
A guerra, talvez por ser o mais espetacular ritual de morte, aparece nos filmes, como sonhos possíveis, e justificada sempre, por uma poesia estranha. O gosto amargo se torna doce, porque parece que tudo acaba bem e, se não tiver um final feliz, ao menos nos abre uma perspectiva para lembrar que, apesar de tudo, desfrutamos de um estranho TEMPO DE PAZ.

Jiddu Saldanha
09/02/2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um adeus ao cineasta que deu voz ao Brasil. Confira aqui algumas de suas obras, na íntegra.

Maio - 1933 / Fevereiro - 2014
Eduardo Coutinho foi o cineasta que deu voz ao Brasil, mais do que isto, um reinventor da linguagem do documentário, que, com muita sensibilidade, fazia ecoar seu pensar através da fala do brasileiro mais comum, em toda sua extensão e humanidade.
Vê-lo pelos corredores do CECIP (Centro de Produção da Imagem Popular) era sempre uma incógnita. Falava pouco, fumava muito, tomava muito cafezinho e era sempre muito gentil. Vivia trancado em sua sala. Conviver com ele, era conviver com o um mito, um homem que, apesar de tão perto, se via mais dentro de um elevador, sempre concentrado no seu mundo mágico, criativo e inventivo.
Segue abaixo uma homenagem do blog Cine Mosquito, alguns de seus principais filmes, expostos aqui, na íntegra, para quem quiser assistir.

ENCONTRO COM EDUARDO COUTINHO - 2013



Santo Forte



O Fim e o Princípio



Babilônia 2000


Moscou



Jogo de Cena



Cabra Marcado para Morrer



sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PROJETO CINEMA POSSÍVEL COMPLETARÁ SEU PRIMEIRO CICLO DE 7 ANOS EM 2014


Cheio de projetos para realizar, o Cinema Possível nunca parou desde que surgiu, em 2007. Foram viagens intermináveis ao mundo do audiovisual, onde aprendemos a fazer de tudo, lendo manuais de cinema e tendo uma aula aqui outra ali, lidando com a precariedade do mercado, a falta de investimento em novas iniciativas; driblamos todos os tipos de dificuldades para criar nossa história com o audiovisual, apoiado nas novas tecnologias.
Os resultados não foram poucos, podemos dizer que, nestes 7 anos, realizamos sonhos de muitas pessoas. Colocamos novos atores em cena, fizemos filmes com obras de poetas inéditos e consagrados, de Caio Fernando Abreu a Ronaldo Werneck, de Hugo Pontes e Herbert Emanuel., Criamos videoclipes com músicos, alguns desconhecidos, mas todos com muito talento, entre eles: Andra Valladares, Paulo Ciranda, Mako Brasil e Marcos Boi Blues, só para citar alguns. Divulgamos a literatura e a música brasileira, além de atrairmos para nossos projetos, jovens que investiram no cinema como profissão. Um bom exemplo é a montadora Bárbara Morais, que hoje em dia, alça vôos ousados no universo do cinema nacional e do audiovisual brasileiro.

"Poesia Proibida", um clássico do projeto Cinema Possível, sobre o poeta de Campos dos Goytacases, Artur Gomes. Depois de percorrer festivais e mostras independentes, o filme está totalmente disponível no youtube.

Atraímos para nossa rede de convivência, parceiros como a UEAP – do Amapá, uma universidade visionária que investiu no cinema possível como forma de ampliar seu leque fora da cidade de Cabo Frio, gerando uma parceria incrível com o grupo TATAMIRÔ DE POESIA, no Rio de Janeiro, depois fomos para Bento Gonçalves/RS onde exibimos boa parte de nossos filmes, com apoio da secretaria de cultura e o Congresso Brasileiro de Poesia.

Videoclipe realizado em 2013, "Maria das Quimeras", lança em audiovisual a música da cantora Andra Valladares, a partir de um poema de Florbela Espanca.


Em 2008, quando criamos nosso próprio cineclube (CINE MOSQUITO), criamos oportunidade de exibição de filmes alternativos em parceria com uma rede de aspirantes a cineastas, premiados em festivais ou não, mas que tiveram seus filmes exibidos fora do âmbito das competições, apenas para fruição do público. Nosso cineclube viajou para diversas cidades brasileiras e hoje, computamos, desde 2008, 40 eventos do “Cine Mosquito”, sem qualquer dependência de apoio oficial ou patrocínio. Nesta relação com o público que vieram nos assistir, mostramos a produção do cinema nacional de Curta Metragem e levamos os cineastas ao conhecimento do nosso público.

Um dos primeiros filmes do projeto Cinema Possível, realizado em 2008, "Guardar" é um poema de Antônio Cícero, e que marcou o caminho da estética por nós, sugerida, através do cinema Possível.


Enfim, o Cinema Possível, tem ainda muito que realizar, e guardamos para 2014, quando iremos comemorar nosso primeiro ciclo de 7 anos, alguns novos lançamentos que virão, a todo vapor, para encantar e ampliar nossa relação com o público que nos apoia. Nossa palavra de ordem é uma só, GRATIDÃO, por chegarmos até aqui, graças, claro, ao apoio daqueles que sempre acreditaram em nós.

Previsto para Março de 2014, o filme "Cidade a Contraluz" é a primeira co-produção do Cinema Possível, com a escola de Cinema Darcy Ribeiro, hoje uma grande referência nesta arte.


Enfim, com um longo caminho pela frente, esperamos, crescer ainda mais e levar ao público as diversas possibilidades de audiovisual, com uma pegada autêntica e que tenha a marca, pura e simplesmente, ao sabor das batalhas diárias e cheias de entusiasmo na arte das realizações possíveis.
Visite nosso canal no youtube: www.youtube.com/tvpossivel

Jiddu Saldanha – Coordenador e criador do projeto Cinema Possível, desde 2007

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Reis do Sagrado – A Sagração dos 13


"Reis do Sagrado" de Lucas Müller, foto de Cesar Remedy a
Não há dúvida que “Os Reis do Sagrado” representa um marco evolutivo no processo de criação do grupo “Os 13”, e traça uma linha de qualidade de suas realizações desde os primeiros filmes. O grupo, que sempre focou a linguagem cinematográfica como técnica, acima de tudo, produz, neste filme, um belo encontro entre arte, técnica e contribuição cultural para sua região. Com isso, “Os 13” se afirma com um documentário que destaca a tradição da Folia de Reis, da região dos lagos, como um evento importante no calendário cultural das cidades, tendo como ponto de encontro, a cidade de Cabo Frio, no interior do estado do Rio de Janeiro.
Um documentário enxuto, com 25 minutos e que traça um painel abrangente tanto do enquadramento da Folia de Reis como arte popular, como afirma Ricardo do Carmo, em seu depoimento muito bem captado, como alguém que esclarece o público ao afirmar tratar-se de uma “teatro de acontecimentos”. Junto com a informação, o filme de Lucas Müller, mergulha suavemente no humano, sem afirmar esse ou aquele discurso, apenas mostra nas expressões dos atores, os dados informativos mas também as contribuições culturais por fora e por dentro da realidade da Folia de Reis.

Prêmio de melhor documentário regional
no III Macaé Cine.
Embora o filme não tenha qualquer pretensão panfletária, presta um serviço relevante ao permitir que a fala dos mestres entrevistados, possa fazer eco à falta de apoio oficial e também à desestrutura cultural causada por discordâncias religiosas que acabam por relegar a cultura popular a último plano.
Como cinema, o filme mantém ótima angulação de câmera, sempre na altura do olho do expectador, tornando-se confortável o tempo todo. A cor está homogênea e o som mantém unidade do começo ao fim. A riqueza da cultura regional explode na tela em cores vivas e boa iluminação. Os cortes, na maioria das vezes, seco, apresentam um ou outro elemento narrativo proposto pelo movimento de câmera e o desfocamento sutil das imagens.
A calma na movimentação e o tempo calculado dos cortes faz a direção de fotografia de Marcelas Rimes e Alexandre Rocha, ganhar grande poder, resultando num trabalho sóbrio e bem apresentado. O saldo final, é que “Reis do Sagrado”, mereceu o prêmio de melhor curta documentário no 7º Festival Curta Cabo Frio, de 2013.
Esta obra audiovisual e deveria estar no currículo das escolas locais. Essa parceria entre educação e arte, mais especificamente, o cinema, pode dar um fôlego a um pensamento mais crítico sobre a ação do cidadão local sobre sua cultura e uma contribuição para ajudar a formar consciência e sentido coletivo nas comunidades onde a Folia de Reis ainda se manifesta.
Jiddu Saldanha - Coordenador do Projeto Cinema Possível.

sábado, 7 de setembro de 2013

Desconstrução, um filme de Renata Prado.

Imagem do set do filme "Desconstrução" de Renata Prado.
Não há dúvida de que a direção de Renata Prado, no filme “Desconstrução” está enxuta e com uma objetividade para poucos. Um curta metragem que consegue transmitir tanta informação, tem exatamente aí sua força mas também sua fraqueza. Talvez desconstrução seja um longa-metragem disfarçado de curta, dito isto, é importante ressaltar a impressionante carga artística do filme, que começa na dinâmica fotografia criada por Paulo Mainhard e desemboca numa profusão de cores, luzes e texturas proposto pela equipe de direção de arte que, não bastasse isso, ainda flerta com um trabalho de xilogravura, da artista plástica Rosa Antunes.
O filme é um panfleto artístico, pretexto para brilhar uma série de personagens da arte de criação, nele você vê Direção de Arte, Maquiagem, Animação Gráfica e por aí vai. É um filme que imprime um execício de referências com toques de surrealismo beirando à ficção científica, recheado de pós-modernidade e ritmo alucinante, mantendo um diálogo direto com o expectador, que, por 10 minutos, não consegue desgrudar da poltrona.
O Filme desconstrução, por incrível que pareça e, apesar de sua pegada-cult, consegue dialogar com o público justamente por ter em sua essência uma série de signos e referências que tocam na identidade universal, principalmente dos jovens. O ritmo de festa rave, a luz quase estroboscópica que muda de acordo com cada take, imprimindo um estranho ambiente onde sujeira, poesia, sadismo, violência e terror, são parceiros numa composição que remete o expectador a uma espécie de “inferno da alma” do personagem central, o artista visual Phil Fargnoli.
O trabalho do elenco, mostra um grupo de atores sem ego, a serviço do roteiro e da parafernália visual, são rostos urbanos, impactantes, mestiços que dão ao filme um riquíssimo tom "terceiromundista", a percepção do roteiro em marcar visualmente um tipo de ator “Artaudiano”, cruel, que comunica no primeiro segundo e depois, apenas administra sua energia para deleite do expectador.
Temos em “Desconstrução” um filme deliciosamente “in - perfeito”, que traz a marca de um timaço de artistas criadores, na elaboração de uma arte radical, a partir de um Storyboard alucinante, buscando acima de tudo, um discurso próprio com uma leitura pessoal do mundo, sem perder contato com o expectador. Da trilha sonora até as sequências, da montagem à direção de arte, do Storyboard à maquiagem, tudo conspirou para um resultado eletrizante. No festival de cinema de Cabo Frio, quem esteve presente, fez ótimos comentários e saudou o filme de forma bem positiva.

VEJA O MAKING OFF: 




Que tal assistir o filme inteiro na sua tela de computador? é só clicar AQUI

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fascinação - Um filme surpreendente!

Não há dúvida que o filme “Fascinação” é um dos melhores acontecimentos do cinema local, na cidade de Cabo Frio. O filme reúne uma equipe bem afinada e dedicada, que vai desde o elenco até a equipe técnica. Com um roteiro de tirar o fôlego e muito bem planejado, dentro de uma estrutura surpreendente, "Fascinação" conseguiu a proeza de manter o público focado na trama do começo ao fim.
Foi como se a gente tivesse mergulhado  numa lição de como fazer um bom filme de baixo orçamento, sem “choramingar” miséria. O acabamento do filme é simples, e ao mesmo tempo luxuoso, graças à inventividade e imaginação dos diretores que souberam fazer do simples, exatamente aquilo que se espera de um bom filme: apenas prender o expectador na poltrona!
Ao final estávamos extasiados, tendo visto a surpreendente atuação de todo o elenco. Embora os atores de destaque, Wagner Cabral e Mirian Panzer, estivessem muito bem,  os demais participantes do elenco também estavam no tom certo! O filme conseguiu um realismo de ficção incomum no cinema local e isso se deve, em parte, ao trabalho de preparação de elenco, coisa que poucos filmes de baixo orçamento fazem. O trabalho do diretor teatral Ítalo Luiz Moreira, ficou visível através do resultado produzido pela interpretação contida e certeira do elenco.
A edição e a montagem, feita por Whorton Marenga, ficou enxuta, a câmera e a direção de fotografia de Erli Oliveira foi correta sem nenhum tipo de afetação ou “viagem” o que deu ao filme uma simplicidade necessária para que a trama decolasse. Tudo no filme tinha um porque; da trama à vestimenta dos personagens à cenografia, da maquiagem à sonoridade; cada detalhe estava a serviço da história a ser contada. E a missão foi cumprida à risca.
“Fascinação” acrescentou dois fatores que pouco se vê nos filmes locais: Maquiagem, com tonalidades que deram verdade à trama e a riquíssima trilha sonora de Paulo Proezas, composta para o filme, trabalhando cada clima, cada momento, cada pincelada para compor a trama. O filme é um pacote de ações originais, um produto artístico genuíno e tudo feito em Cabo Frio, realmente uma ótima realização desta preciosa equipe!

Uma coisa aprendemos com este filme: Não adianta ter um um super elenco, um puta câmera e uma cabeça extraordinária, se não há empenho de equipe, todo mundo jogando junto no mesmo time. Quando você termina de ver “Fascinação” todas as funções a serviço do filme são “esquecidas” justamente porque todas estavam empenhadas em contar a mesma história, sem egos inflados, isso faz pensar que, para se atingir um objetivo tão grande é preciso ter um misto de humildade, cumplicidade e a capacidade sonhar e conspirar juntos; com todos esses fatores afinados, "Fascinação" foi um verdadeiro gol de placa.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

39º Cine Mosquito, especialmente para os alunos do OFICENA

O teatro Inah Azevedo Mureb é um templo da cultura em Cabo Frio, e é neste belo lugar, justamente na sala Frederico Aaújo, que vamos fazer o 39º Cine Mosquito, divididos em dois dias, especialmente para os alunos de teatro do Curso OFICENA que tem como professores: Italo Luis Moreira, Gabriela Assumpção e Jiddu Saldanha e a Supervisão de Yuri Vasconcelos. 
O OFICENA, tem hoje aproximadamente 120 alunos entre manhã e tarde. É uma escola de teatro livre, que não dá diploma e sim, compartilha o conhecimento de forma não linear, buscando a interação e a paixão artística, valorizando o prazer pela arte de atuar e aprender.
0 39º Cine Mosquito traz dois grandes cineastas: Selton Mello e Frederico Fellini, os dois, em épocas diferentes fizeram filmes abordando o mesmo tema. A arte do palhaço. Fellini, criou seu filme em 1970, "OS PALHAÇOS", uma obra prima, premiadíssima e que sem dúvida, inspirou Selton Mello, no seu filme "O PALHAÇO" de 2011, entrou para a história do cinema nacional, com brilhante atuação de Paulo José e Teuda Bara. Um filme marcante, sem dúvida, orgulho do cinema brasileiro, por ter encantado platéias de todos os níveis sociais e intelectuais, fazendo uma das melhores bilheterias do Cinema Nacional.
Este 39º Cine Mosquito, será marcante por ser a primeira vez que exibimos Longas Metragens em nosso cine clube itinerante, serão momentos gloriosos de pura arte e muita poesia. Haverá estudos de palhaçaria, mímica de filme, contação de filme, exibição e um cine-banquete.

PROGRAMAÇÃO

1 - Roda de estudos de palhaçaria
2 - Mímica de Filme
3 - Contação de filme
4 - Exibição do filme escolhido
5 - Cine-banquete