Eduardo Coutinho foi o cineasta que deu voz ao Brasil, mais do que isto, um reinventor da linguagem do documentário, que, com muita sensibilidade, fazia ecoar seu pensar através da fala do brasileiro mais comum, em toda sua extensão e humanidade.
Vê-lo pelos corredores do CECIP (Centro de Produção da Imagem Popular) era sempre uma incógnita. Falava pouco, fumava muito, tomava muito cafezinho e era sempre muito gentil. Vivia trancado em sua sala. Conviver com ele, era conviver com o um mito, um homem que, apesar de tão perto, se via mais dentro de um elevador, sempre concentrado no seu mundo mágico, criativo e inventivo.
Segue abaixo uma homenagem do blog Cine Mosquito, alguns de seus principais filmes, expostos aqui, na íntegra, para quem quiser assistir.
Cheio de projetos para realizar, o Cinema Possível nunca parou desde que surgiu, em 2007. Foram viagens intermináveis ao mundo do audiovisual, onde aprendemos a fazer de tudo, lendo manuais de cinema e tendo uma aula aqui outra ali, lidando com a precariedade do mercado, a falta de investimento em novas iniciativas; driblamos todos os tipos de dificuldades para criar nossa história com o audiovisual, apoiado nas novas tecnologias.
Os resultados não foram poucos, podemos dizer que, nestes 7 anos, realizamos sonhos de muitas pessoas. Colocamos novos atores em cena, fizemos filmes com obras de poetas inéditos e consagrados, de Caio Fernando Abreu a Ronaldo Werneck, de Hugo Pontes e Herbert Emanuel., Criamos videoclipes com músicos, alguns desconhecidos, mas todos com muito talento, entre eles: Andra Valladares, Paulo Ciranda, Mako Brasil e Marcos Boi Blues, só para citar alguns. Divulgamos a literatura e a música brasileira, além de atrairmos para nossos projetos, jovens que investiram no cinema como profissão. Um bom exemplo é a montadora Bárbara Morais, que hoje em dia, alça vôos ousados no universo do cinema nacional e do audiovisual brasileiro.
"Poesia Proibida", um clássico do projeto Cinema Possível, sobre o poeta de Campos dos Goytacases, Artur Gomes. Depois de percorrer festivais e mostras independentes, o filme está totalmente disponível no youtube.
Atraímos para nossa rede de convivência, parceiros como a UEAP – do Amapá, uma universidade visionária que investiu no cinema possível como forma de ampliar seu leque fora da cidade de Cabo Frio, gerando uma parceria incrível com o grupo TATAMIRÔ DE POESIA, no Rio de Janeiro, depois fomos para Bento Gonçalves/RS onde exibimos boa parte de nossos filmes, com apoio da secretaria de cultura e o Congresso Brasileiro de Poesia.
Videoclipe realizado em 2013, "Maria das Quimeras", lança em audiovisual a música da cantora Andra Valladares, a partir de um poema de Florbela Espanca.
Em 2008, quando criamos nosso próprio cineclube (CINE MOSQUITO), criamos oportunidade de exibição de filmes alternativos em parceria com uma rede de aspirantes a cineastas, premiados em festivais ou não, mas que tiveram seus filmes exibidos fora do âmbito das competições, apenas para fruição do público. Nosso cineclube viajou para diversas cidades brasileiras e hoje, computamos, desde 2008, 40 eventos do “Cine Mosquito”, sem qualquer dependência de apoio oficial ou patrocínio. Nesta relação com o público que vieram nos assistir, mostramos a produção do cinema nacional de Curta Metragem e levamos os cineastas ao conhecimento do nosso público.
Um dos primeiros filmes do projeto Cinema Possível, realizado em 2008, "Guardar" é um poema de Antônio Cícero, e que marcou o caminho da estética por nós, sugerida, através do cinema Possível.
Enfim, o Cinema Possível, tem ainda muito que realizar, e guardamos para 2014, quando iremos comemorar nosso primeiro ciclo de 7 anos, alguns novos lançamentos que virão, a todo vapor, para encantar e ampliar nossa relação com o público que nos apoia. Nossa palavra de ordem é uma só, GRATIDÃO, por chegarmos até aqui, graças, claro, ao apoio daqueles que sempre acreditaram em nós.
Previsto para Março de 2014, o filme "Cidade a Contraluz" é a primeira co-produção do Cinema Possível, com a escola de Cinema Darcy Ribeiro, hoje uma grande referência nesta arte.
Enfim, com um longo caminho pela frente, esperamos, crescer ainda mais e levar ao público as diversas possibilidades de audiovisual, com uma pegada autêntica e que tenha a marca, pura e simplesmente, ao sabor das batalhas diárias e cheias de entusiasmo na arte das realizações possíveis.
"Reis do Sagrado" de Lucas Müller, foto de Cesar Remedy a
Não há dúvida que “Os Reis do Sagrado” representa um marco evolutivo no processo de criação do grupo “Os 13”, e traça uma linha de qualidade de suas realizações desde os primeiros filmes. O grupo, que sempre focou a linguagem cinematográfica como técnica, acima de tudo, produz, neste filme, um belo encontro entre arte, técnica e contribuição cultural para sua região. Com isso, “Os 13” se afirma com um documentário que destaca a tradição da Folia de Reis, da região dos lagos, como um evento importante no calendário cultural das cidades, tendo como ponto de encontro, a cidade de Cabo Frio, no interior do estado do Rio de Janeiro.
Um documentário enxuto, com 25 minutos e que traça um painel abrangente tanto do enquadramento da Folia de Reis como arte popular, como afirma Ricardo do Carmo, em seu depoimento muito bem captado, como alguém que esclarece o público ao afirmar tratar-se de uma “teatro de acontecimentos”.
Junto com a informação, o filme de Lucas Müller, mergulha suavemente no humano, sem afirmar esse ou aquele discurso, apenas mostra nas expressões dos atores, os dados informativos mas também as contribuições culturais por fora e por dentro da realidade da Folia de Reis.
Prêmio de melhor documentário regional
no III Macaé Cine.
Embora o filme não tenha qualquer pretensão panfletária, presta um serviço relevante ao permitir que a fala dos mestres entrevistados, possa fazer eco à falta de apoio oficial e também à desestrutura cultural causada por discordâncias religiosas que acabam por relegar a cultura popular a último plano.
Como cinema, o filme mantém ótima angulação de câmera, sempre na altura do olho do expectador, tornando-se confortável o tempo todo. A cor está homogênea e o som mantém unidade do começo ao fim. A riqueza da cultura regional explode na tela em cores vivas e boa iluminação. Os cortes, na maioria das vezes, seco, apresentam um ou outro elemento narrativo proposto pelo movimento de câmera e o desfocamento sutil das imagens.
A calma na movimentação e o tempo calculado dos cortes faz a direção de fotografia de Marcelas Rimes e Alexandre Rocha, ganhar grande poder, resultando num trabalho sóbrio e bem apresentado.
O saldo final, é que “Reis do Sagrado”, mereceu o prêmio de melhor curta documentário no 7º Festival Curta Cabo Frio, de 2013.
Esta obra audiovisual e deveria estar no currículo das escolas locais. Essa parceria entre educação e arte, mais especificamente, o cinema, pode dar um fôlego a um pensamento mais crítico sobre a ação do cidadão local sobre sua cultura e uma contribuição para ajudar a formar consciência e sentido coletivo nas comunidades onde a Folia de Reis ainda se manifesta.
Jiddu Saldanha - Coordenador do Projeto Cinema Possível.
Imagem do set do filme "Desconstrução" de Renata Prado.
Não há dúvida
de que a direção de Renata Prado, no filme “Desconstrução”
está enxuta e com uma objetividade para poucos. Um curta metragem
que consegue transmitir tanta informação, tem exatamente aí sua
força mas também sua fraqueza. Talvez desconstrução seja um
longa-metragem disfarçado de curta, dito isto, é importante
ressaltar a impressionante carga artística do filme, que começa na
dinâmica fotografia criada por Paulo Mainhard e desemboca numa
profusão de cores, luzes e texturas proposto pela equipe de direção
de arte que, não bastasse isso, ainda flerta com um trabalho de
xilogravura, da artista plástica Rosa Antunes.
O filme é um
panfleto artístico, pretexto para brilhar uma série de personagens
da arte de criação, nele você vê Direção de Arte, Maquiagem,
Animação Gráfica e por aí vai. É um filme que imprime um
execício de referências com toques de surrealismo beirando à
ficção científica, recheado de pós-modernidade e ritmo
alucinante, mantendo um diálogo direto com o expectador, que, por 10
minutos, não consegue desgrudar da poltrona.
O Filme
desconstrução, por incrível que pareça e, apesar de sua
pegada-cult, consegue dialogar com o público justamente por ter em
sua essência uma série de signos e referências que tocam na
identidade universal, principalmente dos jovens. O ritmo de festa
rave, a luz quase estroboscópica que muda de acordo com cada take,
imprimindo um estranho ambiente onde sujeira, poesia, sadismo,
violência e terror, são parceiros numa composição que remete o
expectador a uma espécie de “inferno da alma” do personagem
central, o artista visual Phil Fargnoli.
O trabalho do
elenco, mostra um grupo de atores sem ego, a serviço do roteiro e da
parafernália visual, são rostos urbanos, impactantes, mestiços que
dão ao filme um riquíssimo tom "terceiromundista", a percepção do
roteiro em marcar visualmente um tipo de ator “Artaudiano”,
cruel, que comunica no primeiro segundo e depois, apenas administra
sua energia para deleite do expectador.
Temos em
“Desconstrução” um filme deliciosamente “in - perfeito”,
que traz a marca de um timaço de artistas criadores, na elaboração
de uma arte radical, a partir de um Storyboard alucinante, buscando
acima de tudo, um discurso próprio com uma leitura pessoal do mundo,
sem perder contato com o expectador. Da trilha sonora até as
sequências, da montagem à direção de arte, do Storyboard à
maquiagem, tudo conspirou para um resultado eletrizante. No festival
de cinema de Cabo Frio, quem esteve presente, fez ótimos comentários
e saudou o filme de forma bem positiva.
VEJA O MAKING OFF:
Que tal assistir o filme inteiro na sua tela de computador? é só clicar AQUI
Não há dúvida
que o filme “Fascinação” é um dos melhores acontecimentos do
cinema local, na cidade de Cabo Frio. O filme reúne uma equipe bem
afinada e dedicada, que vai desde o elenco até a equipe técnica.
Com um roteiro de tirar o fôlego e muito bem planejado, dentro de
uma estrutura surpreendente, "Fascinação" conseguiu a proeza de manter o
público focado na trama do começo ao fim.
Foi como se a gente tivesse mergulhado numa lição de como fazer um bom filme de baixo orçamento, sem
“choramingar” miséria. O acabamento do filme é simples, e ao mesmo tempo luxuoso, graças à inventividade e imaginação dos diretores
que souberam fazer do simples, exatamente aquilo que se espera de um
bom filme: apenas prender o expectador na poltrona!
Ao final estávamos
extasiados, tendo visto a surpreendente atuação de todo o elenco.
Embora os atores de destaque, Wagner Cabral e Mirian Panzer, estivessem muito bem, os demais participantes do elenco também estavam no
tom certo! O filme conseguiu um realismo de ficção incomum no
cinema local e isso se deve, em parte, ao trabalho de preparação de
elenco, coisa que poucos filmes de baixo orçamento fazem. O trabalho
do diretor teatral Ítalo Luiz Moreira, ficou visível através do
resultado produzido pela interpretação contida e certeira do elenco.
A edição e a
montagem, feita por Whorton Marenga, ficou enxuta, a câmera e a
direção de fotografia de Erli Oliveira foi correta sem nenhum tipo
de afetação ou “viagem” o que deu ao filme uma simplicidade
necessária para que a trama decolasse. Tudo no filme tinha um
porque; da trama à vestimenta dos personagens à cenografia, da maquiagem à sonoridade; cada detalhe estava a
serviço da história a ser contada. E a missão foi cumprida à risca.
“Fascinação” acrescentou dois fatores que pouco se vê
nos filmes locais: Maquiagem, com tonalidades que deram verdade à
trama e a riquíssima trilha sonora de Paulo Proezas, composta para o filme, trabalhando cada clima, cada momento, cada pincelada para compor a trama. O filme é um
pacote de ações originais, um produto artístico genuíno e tudo
feito em Cabo Frio, realmente uma ótima realização desta preciosa equipe!
Uma coisa
aprendemos com este filme: Não adianta ter um um super elenco, um
puta câmera e uma cabeça extraordinária, se não há empenho de
equipe, todo mundo jogando junto no mesmo time. Quando você termina
de ver “Fascinação” todas as funções a serviço do filme são
“esquecidas” justamente porque todas estavam empenhadas em contar
a mesma história, sem egos inflados, isso faz pensar que, para se atingir um objetivo tão
grande é preciso ter um misto de humildade, cumplicidade e a capacidade sonhar e conspirar juntos; com todos esses fatores afinados, "Fascinação" foi um verdadeiro gol de placa.
O teatro Inah Azevedo Mureb é um templo da cultura em Cabo Frio, e é neste belo lugar, justamente na sala Frederico Aaújo, que vamos fazer o 39º Cine Mosquito, divididos em dois dias, especialmente para os alunos de teatro do Curso OFICENA que tem como professores: Italo Luis Moreira, Gabriela Assumpção e Jiddu Saldanha e a Supervisão de Yuri Vasconcelos.
O OFICENA, tem hoje aproximadamente 120 alunos entre manhã e tarde. É uma escola de teatro livre, que não dá diploma e sim, compartilha o conhecimento de forma não linear, buscando a interação e a paixão artística, valorizando o prazer pela arte de atuar e aprender.
0 39º Cine Mosquito traz dois grandes cineastas: Selton Mello e Frederico Fellini, os dois, em épocas diferentes fizeram filmes abordando o mesmo tema. A arte do palhaço. Fellini, criou seu filme em 1970, "OS PALHAÇOS", uma obra prima, premiadíssima e que sem dúvida, inspirou Selton Mello, no seu filme "O PALHAÇO" de 2011, entrou para a história do cinema nacional, com brilhante atuação de Paulo José e Teuda Bara. Um filme marcante, sem dúvida, orgulho do cinema brasileiro, por ter encantado platéias de todos os níveis sociais e intelectuais, fazendo uma das melhores bilheterias do Cinema Nacional.
Este 39º Cine Mosquito, será marcante por ser a primeira vez que exibimos Longas Metragens em nosso cine clube itinerante, serão momentos gloriosos de pura arte e muita poesia. Haverá estudos de palhaçaria, mímica de filme, contação de filme, exibição e um cine-banquete.
Nascido
em 06 de março de 1926, na cidade de Suwaki, Polônia, foi o primeiro cineasta
polonês de que ouvi falar, embora, até a década de 80 eu ainda não tivesse
assistido nenhum de seus filmes. Lembro que meu primeiro professor de teatro,
Mário Belino, comentara comigo, certa vez, algo a respeito do filme “Danton, o
Processo da Revolução”, estrelado pelo ator francês Gerard Depardieu, que só
acabei assistindo alguns anos depois, por volta de 1992, acredito. Não há
dúvida que trata-se de um grande filme, a julgar pelo rendimento dramático dos
atores, a fotografia em tons de terra e os planos detalhados de câmera,
permeados por uma estupenda direção de arte. Foi por esta porta que entrei no
universo do cinema polonês, vendo a posteriori, todo tipo de filme que caísse
em minhas mãos, advindo daquele país.
Katyn, de 2007. Direção de Andrzj Wajda
No final da década de 80, na
escola de teatro, em Curitiba, havia uma forte curiosidade sobre que tipo de
cinema se fazia no mundo por trás da tão famosa “cortina de ferro”; os países
controlados pelo regime comunista da extinta União Soviética nos países
satélites, controlados pela mão de ferro de Leonid Brejnev. Até então, o único
cinema que se tinha notícia com mais freqüência, vindo daquele “mundo diferente”
eram os filmes dos famosos cineastas russos tais como Serguei
Anizentain e Gregori Kozintsev e Andrei Tarkóvski, este último, mais moderno. Mas
pouco ou quase nada se sabia do cinema polonês.
Recentemente,
numa dessas noites em que se perde o sono, vi o filme “Katyn”, uma superprodução
original e polonesa dirigida por Wajda, com atuação de um elenco monumental, um
filme sem retoques, mantendo à risca o estilo inconfundível deste diretor. A
fotografia terrosa, com tons escuros, fotografia inpecável, uma obra de arte,
filmada no estilo clássico com todo o esplendor da linguagem cinematográfica, sem
contar o roteiro perfeito com atuações sem nenhuma rebarba. Para quem vem do
teatro, poder assistir um filme de Wajda é simplesmente magnífico, vale a pena.
Roman Polanski
Premiadíssimo, Ronam Polasnski recebeu o oscar pelo filme "O Pianista", masnão pode receber.
"O Pianista" premiadíssimo e já nasceu como obra prima.
O cineasta Franco-Polonês, Roman
Polanski, curiosamente nasceu em Paris, em 1933 mas foi viver com seus pais na
Polônia quando ainda tinha 2 anos de idade, em 1939, quando a Alemanha nazista
invadiu aquele pais, Polanski ia completar 07 anos de idade e passou a viver as
agruras da guerra tendo, inclusive, perdido sua mãe, num campo de concentração.
Meu contato com seus filmes se deu quando eu ainda era aluno da faculdade de
teatro, em Curitiba, e, claro, estreei vendo sua obra prima, “O Bebê de
Rosemery”, filmes estupendo, praticamente perfeito e que até hoje arrasta
Maja Ostaszewka, musa do cinema Polonês.
uma
legião de fãs pelo mundo afora. Na década de 90 mergulhei mais a filme em sua
obra e assisti o estranhíssimo e ao mesmo tempo magnífico “O Inquilino” em que ele
também atua.
Embora mais antigo, o filme “A
Dança dos Vampiros”, virou um clássico da sessão da tarde nos anos 80 e
praticamente toda a minha geração viu este filme que se tornou muito comentado
e se tornou bem popular. O filme, com tom de comédia, tem um roteiro
impressionante e conta com a atuação, também de Polanski, no elenco. Nos anos
80, no auge da carreira de Harrisson Ford, Polanski o dirigiu no estonteante
drama policial “Busca Frenética” de 1988 que ganhou as telonas do mundo todo,
dando, definitiva popularidade a este cineasta de grande sucesso e autor de
grandes polêmicas com a mídia mundial.
"A Dança dos Vampiros" virou um clássico da sessão da tarde.
Em 2002, Polasnki voltou a
encantar o mundo com seu drama de guerra “O Pianista” em que faz uma leitura
profunda do ocorrido no Gueto de Varsóvia, criando um filme arrasador, contra o
autoritarismo e a barbárie, desta vez, a guerra na ponta dos dedos de um
pianista sobrevivente ao holocausto e ajudado por um oficial nazista. Neste
filme, curiosamente, a atriz Maja Ostaszewka que teve estupenda interpretação no filme “Katyn” de
Wajda, reaparece numa cena dilacerante e curta, mas muito bem dirigida pelo
mestre.
"O Bebê de Rosemery", de 1968, um dos filmes mais famosos da obra de Roman Polanski..
O encantamento causado
pela obra de Roman Polanski é sem precedentes, sua firmeza, sua riqueza de
detalhes, a tonalidade de seus fotogramas e sobretudo a profundidade reflexiva
de cada filme, faz dele um dos gingantes do cinema mundial.
Krzysztof Kieślowski
Nascido em
Varsóvia, em 1941, este magnífico cineasta polonês permaneceu por muito tempo,
desconhecido do ocidente e sua obra chegou aos cineclubes através do seu “decálogo”,
uma série de 10 filmes inspirados nos 10 mandamentos, dos quais dois se
destacaram e viraram longas-metragens: “Não Amarás” e “Não Matárás”, na faculdade
de teatro, em Curitiba, onde estudei, ver um filme de Kieslowski até que não
era tão difícil, pois a cidade tem a maior colônia de poloneses do mundo, fora
da Polônia, com ótimos intelectuais, professores universitários, alguns até
famosos destacando o poeta Paulo Leminski, que tinha orgulho de sua
descendência Afro-polaca. Em Curitiba, é possível ver nas pedras da cidade, elementos profundos da colonização polonesa.
"Trilogia das Cores" - Três filmes inspirados na bandeira da França, tornaram conhecidas do grande público atrizes como Juliette Binoche e Julie Delpy
"Não Amarás" tornou-se um dos filmespreferidos dos cine-clubes do final dos anos 80.
Em meados dos
anos 90, Kieslowski presenteou o mundo com a sua famosa “trilogia das cores”,
uma série de três filmes inspirados nas cores da bandeira da frança: “A liberdade é azul, A Igualdade é
Branca e A Fraternidade é Vermelha”, filmes encantadores que fortaleceram as
carreiras de atrizes hoje famosas como Juliette Binoche e Julie Delpy. Assisti
à trilogia das cores quando já vivia no Rio de Janeiro, para mim, Kieslowski
junto com Tomáz Gutiérrez Alea, de Cuba, foram os dois cineastas que conquistaram
meu coração e arrebataram minha subjetividade. Eles apontavam para “um olhar
diferente”; um cinema autoral e independente que acabou por influenciar grande
parte da filmografia pós anos 90.
Em 1996 o
mundo comoveu-se ao saber da morte de Kieslowki, praticamente prematura, com apenas
54 anos de idade, ele partiu mas sua obra, hoje, permanece intacta e atual. Até
ele hoje vive em nosso coração e, quem verdadeiramente ama o cinema, não
deixará de lembrar deste cineasta e, os jovens, que estão ingressando nesta
arte, é fundamental que conheçam seu magnífico trabalho.
FONTES: Este texto é autoral e foi escrito a partir de pesquisas na internet, especialmente Wikipedia. Todas as imagens são de domínio público.