sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PROJETO CINEMA POSSÍVEL COMPLETARÁ SEU PRIMEIRO CICLO DE 7 ANOS EM 2014


Cheio de projetos para realizar, o Cinema Possível nunca parou desde que surgiu, em 2007. Foram viagens intermináveis ao mundo do audiovisual, onde aprendemos a fazer de tudo, lendo manuais de cinema e tendo uma aula aqui outra ali, lidando com a precariedade do mercado, a falta de investimento em novas iniciativas; driblamos todos os tipos de dificuldades para criar nossa história com o audiovisual, apoiado nas novas tecnologias.
Os resultados não foram poucos, podemos dizer que, nestes 7 anos, realizamos sonhos de muitas pessoas. Colocamos novos atores em cena, fizemos filmes com obras de poetas inéditos e consagrados, de Caio Fernando Abreu a Ronaldo Werneck, de Hugo Pontes e Herbert Emanuel., Criamos videoclipes com músicos, alguns desconhecidos, mas todos com muito talento, entre eles: Andra Valladares, Paulo Ciranda, Mako Brasil e Marcos Boi Blues, só para citar alguns. Divulgamos a literatura e a música brasileira, além de atrairmos para nossos projetos, jovens que investiram no cinema como profissão. Um bom exemplo é a montadora Bárbara Morais, que hoje em dia, alça vôos ousados no universo do cinema nacional e do audiovisual brasileiro.

"Poesia Proibida", um clássico do projeto Cinema Possível, sobre o poeta de Campos dos Goytacases, Artur Gomes. Depois de percorrer festivais e mostras independentes, o filme está totalmente disponível no youtube.

Atraímos para nossa rede de convivência, parceiros como a UEAP – do Amapá, uma universidade visionária que investiu no cinema possível como forma de ampliar seu leque fora da cidade de Cabo Frio, gerando uma parceria incrível com o grupo TATAMIRÔ DE POESIA, no Rio de Janeiro, depois fomos para Bento Gonçalves/RS onde exibimos boa parte de nossos filmes, com apoio da secretaria de cultura e o Congresso Brasileiro de Poesia.

Videoclipe realizado em 2013, "Maria das Quimeras", lança em audiovisual a música da cantora Andra Valladares, a partir de um poema de Florbela Espanca.


Em 2008, quando criamos nosso próprio cineclube (CINE MOSQUITO), criamos oportunidade de exibição de filmes alternativos em parceria com uma rede de aspirantes a cineastas, premiados em festivais ou não, mas que tiveram seus filmes exibidos fora do âmbito das competições, apenas para fruição do público. Nosso cineclube viajou para diversas cidades brasileiras e hoje, computamos, desde 2008, 40 eventos do “Cine Mosquito”, sem qualquer dependência de apoio oficial ou patrocínio. Nesta relação com o público que vieram nos assistir, mostramos a produção do cinema nacional de Curta Metragem e levamos os cineastas ao conhecimento do nosso público.

Um dos primeiros filmes do projeto Cinema Possível, realizado em 2008, "Guardar" é um poema de Antônio Cícero, e que marcou o caminho da estética por nós, sugerida, através do cinema Possível.


Enfim, o Cinema Possível, tem ainda muito que realizar, e guardamos para 2014, quando iremos comemorar nosso primeiro ciclo de 7 anos, alguns novos lançamentos que virão, a todo vapor, para encantar e ampliar nossa relação com o público que nos apoia. Nossa palavra de ordem é uma só, GRATIDÃO, por chegarmos até aqui, graças, claro, ao apoio daqueles que sempre acreditaram em nós.

Previsto para Março de 2014, o filme "Cidade a Contraluz" é a primeira co-produção do Cinema Possível, com a escola de Cinema Darcy Ribeiro, hoje uma grande referência nesta arte.


Enfim, com um longo caminho pela frente, esperamos, crescer ainda mais e levar ao público as diversas possibilidades de audiovisual, com uma pegada autêntica e que tenha a marca, pura e simplesmente, ao sabor das batalhas diárias e cheias de entusiasmo na arte das realizações possíveis.
Visite nosso canal no youtube: www.youtube.com/tvpossivel

Jiddu Saldanha – Coordenador e criador do projeto Cinema Possível, desde 2007

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Reis do Sagrado – A Sagração dos 13


"Reis do Sagrado" de Lucas Müller, foto de Cesar Remedy a
Não há dúvida que “Os Reis do Sagrado” representa um marco evolutivo no processo de criação do grupo “Os 13”, e traça uma linha de qualidade de suas realizações desde os primeiros filmes. O grupo, que sempre focou a linguagem cinematográfica como técnica, acima de tudo, produz, neste filme, um belo encontro entre arte, técnica e contribuição cultural para sua região. Com isso, “Os 13” se afirma com um documentário que destaca a tradição da Folia de Reis, da região dos lagos, como um evento importante no calendário cultural das cidades, tendo como ponto de encontro, a cidade de Cabo Frio, no interior do estado do Rio de Janeiro.
Um documentário enxuto, com 25 minutos e que traça um painel abrangente tanto do enquadramento da Folia de Reis como arte popular, como afirma Ricardo do Carmo, em seu depoimento muito bem captado, como alguém que esclarece o público ao afirmar tratar-se de uma “teatro de acontecimentos”. Junto com a informação, o filme de Lucas Müller, mergulha suavemente no humano, sem afirmar esse ou aquele discurso, apenas mostra nas expressões dos atores, os dados informativos mas também as contribuições culturais por fora e por dentro da realidade da Folia de Reis.

Prêmio de melhor documentário regional
no III Macaé Cine.
Embora o filme não tenha qualquer pretensão panfletária, presta um serviço relevante ao permitir que a fala dos mestres entrevistados, possa fazer eco à falta de apoio oficial e também à desestrutura cultural causada por discordâncias religiosas que acabam por relegar a cultura popular a último plano.
Como cinema, o filme mantém ótima angulação de câmera, sempre na altura do olho do expectador, tornando-se confortável o tempo todo. A cor está homogênea e o som mantém unidade do começo ao fim. A riqueza da cultura regional explode na tela em cores vivas e boa iluminação. Os cortes, na maioria das vezes, seco, apresentam um ou outro elemento narrativo proposto pelo movimento de câmera e o desfocamento sutil das imagens.
A calma na movimentação e o tempo calculado dos cortes faz a direção de fotografia de Marcelas Rimes e Alexandre Rocha, ganhar grande poder, resultando num trabalho sóbrio e bem apresentado. O saldo final, é que “Reis do Sagrado”, mereceu o prêmio de melhor curta documentário no 7º Festival Curta Cabo Frio, de 2013.
Esta obra audiovisual e deveria estar no currículo das escolas locais. Essa parceria entre educação e arte, mais especificamente, o cinema, pode dar um fôlego a um pensamento mais crítico sobre a ação do cidadão local sobre sua cultura e uma contribuição para ajudar a formar consciência e sentido coletivo nas comunidades onde a Folia de Reis ainda se manifesta.
Jiddu Saldanha - Coordenador do Projeto Cinema Possível.

sábado, 7 de setembro de 2013

Desconstrução, um filme de Renata Prado.

Imagem do set do filme "Desconstrução" de Renata Prado.
Não há dúvida de que a direção de Renata Prado, no filme “Desconstrução” está enxuta e com uma objetividade para poucos. Um curta metragem que consegue transmitir tanta informação, tem exatamente aí sua força mas também sua fraqueza. Talvez desconstrução seja um longa-metragem disfarçado de curta, dito isto, é importante ressaltar a impressionante carga artística do filme, que começa na dinâmica fotografia criada por Paulo Mainhard e desemboca numa profusão de cores, luzes e texturas proposto pela equipe de direção de arte que, não bastasse isso, ainda flerta com um trabalho de xilogravura, da artista plástica Rosa Antunes.
O filme é um panfleto artístico, pretexto para brilhar uma série de personagens da arte de criação, nele você vê Direção de Arte, Maquiagem, Animação Gráfica e por aí vai. É um filme que imprime um execício de referências com toques de surrealismo beirando à ficção científica, recheado de pós-modernidade e ritmo alucinante, mantendo um diálogo direto com o expectador, que, por 10 minutos, não consegue desgrudar da poltrona.
O Filme desconstrução, por incrível que pareça e, apesar de sua pegada-cult, consegue dialogar com o público justamente por ter em sua essência uma série de signos e referências que tocam na identidade universal, principalmente dos jovens. O ritmo de festa rave, a luz quase estroboscópica que muda de acordo com cada take, imprimindo um estranho ambiente onde sujeira, poesia, sadismo, violência e terror, são parceiros numa composição que remete o expectador a uma espécie de “inferno da alma” do personagem central, o artista visual Phil Fargnoli.
O trabalho do elenco, mostra um grupo de atores sem ego, a serviço do roteiro e da parafernália visual, são rostos urbanos, impactantes, mestiços que dão ao filme um riquíssimo tom "terceiromundista", a percepção do roteiro em marcar visualmente um tipo de ator “Artaudiano”, cruel, que comunica no primeiro segundo e depois, apenas administra sua energia para deleite do expectador.
Temos em “Desconstrução” um filme deliciosamente “in - perfeito”, que traz a marca de um timaço de artistas criadores, na elaboração de uma arte radical, a partir de um Storyboard alucinante, buscando acima de tudo, um discurso próprio com uma leitura pessoal do mundo, sem perder contato com o expectador. Da trilha sonora até as sequências, da montagem à direção de arte, do Storyboard à maquiagem, tudo conspirou para um resultado eletrizante. No festival de cinema de Cabo Frio, quem esteve presente, fez ótimos comentários e saudou o filme de forma bem positiva.

VEJA O MAKING OFF: 




Que tal assistir o filme inteiro na sua tela de computador? é só clicar AQUI

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fascinação - Um filme surpreendente!

Não há dúvida que o filme “Fascinação” é um dos melhores acontecimentos do cinema local, na cidade de Cabo Frio. O filme reúne uma equipe bem afinada e dedicada, que vai desde o elenco até a equipe técnica. Com um roteiro de tirar o fôlego e muito bem planejado, dentro de uma estrutura surpreendente, "Fascinação" conseguiu a proeza de manter o público focado na trama do começo ao fim.
Foi como se a gente tivesse mergulhado  numa lição de como fazer um bom filme de baixo orçamento, sem “choramingar” miséria. O acabamento do filme é simples, e ao mesmo tempo luxuoso, graças à inventividade e imaginação dos diretores que souberam fazer do simples, exatamente aquilo que se espera de um bom filme: apenas prender o expectador na poltrona!
Ao final estávamos extasiados, tendo visto a surpreendente atuação de todo o elenco. Embora os atores de destaque, Wagner Cabral e Mirian Panzer, estivessem muito bem,  os demais participantes do elenco também estavam no tom certo! O filme conseguiu um realismo de ficção incomum no cinema local e isso se deve, em parte, ao trabalho de preparação de elenco, coisa que poucos filmes de baixo orçamento fazem. O trabalho do diretor teatral Ítalo Luiz Moreira, ficou visível através do resultado produzido pela interpretação contida e certeira do elenco.
A edição e a montagem, feita por Whorton Marenga, ficou enxuta, a câmera e a direção de fotografia de Erli Oliveira foi correta sem nenhum tipo de afetação ou “viagem” o que deu ao filme uma simplicidade necessária para que a trama decolasse. Tudo no filme tinha um porque; da trama à vestimenta dos personagens à cenografia, da maquiagem à sonoridade; cada detalhe estava a serviço da história a ser contada. E a missão foi cumprida à risca.
“Fascinação” acrescentou dois fatores que pouco se vê nos filmes locais: Maquiagem, com tonalidades que deram verdade à trama e a riquíssima trilha sonora de Paulo Proezas, composta para o filme, trabalhando cada clima, cada momento, cada pincelada para compor a trama. O filme é um pacote de ações originais, um produto artístico genuíno e tudo feito em Cabo Frio, realmente uma ótima realização desta preciosa equipe!

Uma coisa aprendemos com este filme: Não adianta ter um um super elenco, um puta câmera e uma cabeça extraordinária, se não há empenho de equipe, todo mundo jogando junto no mesmo time. Quando você termina de ver “Fascinação” todas as funções a serviço do filme são “esquecidas” justamente porque todas estavam empenhadas em contar a mesma história, sem egos inflados, isso faz pensar que, para se atingir um objetivo tão grande é preciso ter um misto de humildade, cumplicidade e a capacidade sonhar e conspirar juntos; com todos esses fatores afinados, "Fascinação" foi um verdadeiro gol de placa.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

39º Cine Mosquito, especialmente para os alunos do OFICENA

O teatro Inah Azevedo Mureb é um templo da cultura em Cabo Frio, e é neste belo lugar, justamente na sala Frederico Aaújo, que vamos fazer o 39º Cine Mosquito, divididos em dois dias, especialmente para os alunos de teatro do Curso OFICENA que tem como professores: Italo Luis Moreira, Gabriela Assumpção e Jiddu Saldanha e a Supervisão de Yuri Vasconcelos. 
O OFICENA, tem hoje aproximadamente 120 alunos entre manhã e tarde. É uma escola de teatro livre, que não dá diploma e sim, compartilha o conhecimento de forma não linear, buscando a interação e a paixão artística, valorizando o prazer pela arte de atuar e aprender.
0 39º Cine Mosquito traz dois grandes cineastas: Selton Mello e Frederico Fellini, os dois, em épocas diferentes fizeram filmes abordando o mesmo tema. A arte do palhaço. Fellini, criou seu filme em 1970, "OS PALHAÇOS", uma obra prima, premiadíssima e que sem dúvida, inspirou Selton Mello, no seu filme "O PALHAÇO" de 2011, entrou para a história do cinema nacional, com brilhante atuação de Paulo José e Teuda Bara. Um filme marcante, sem dúvida, orgulho do cinema brasileiro, por ter encantado platéias de todos os níveis sociais e intelectuais, fazendo uma das melhores bilheterias do Cinema Nacional.
Este 39º Cine Mosquito, será marcante por ser a primeira vez que exibimos Longas Metragens em nosso cine clube itinerante, serão momentos gloriosos de pura arte e muita poesia. Haverá estudos de palhaçaria, mímica de filme, contação de filme, exibição e um cine-banquete.

PROGRAMAÇÃO

1 - Roda de estudos de palhaçaria
2 - Mímica de Filme
3 - Contação de filme
4 - Exibição do filme escolhido
5 - Cine-banquete


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Três cineastas poloneses:

Andrzej Wajda.

Danton, 1983. Direção - Andrzej Wajda
Nascido em 06 de março de 1926, na cidade de Suwaki, Polônia, foi o primeiro cineasta polonês de que ouvi falar, embora, até a década de 80 eu ainda não tivesse assistido nenhum de seus filmes. Lembro que meu primeiro professor de teatro, Mário Belino, comentara comigo, certa vez, algo a respeito do filme “Danton, o Processo da Revolução”, estrelado pelo ator francês Gerard Depardieu, que só acabei assistindo alguns anos depois, por volta de 1992, acredito. Não há dúvida que trata-se de um grande filme, a julgar pelo rendimento dramático dos atores, a fotografia em tons de terra e os planos detalhados de câmera, permeados por uma estupenda direção de arte. Foi por esta porta que entrei no universo do cinema polonês, vendo a posteriori, todo tipo de filme que caísse em minhas mãos, advindo daquele país.
Katyn, de 2007. Direção de Andrzj Wajda
No final da década de 80, na escola de teatro, em Curitiba, havia uma forte curiosidade sobre que tipo de cinema se fazia no mundo por trás da tão famosa “cortina de ferro”; os países controlados pelo regime comunista da extinta União Soviética nos países satélites, controlados pela mão de ferro de Leonid Brejnev. Até então, o único cinema que se tinha notícia com mais freqüência, vindo daquele “mundo diferente” eram os filmes dos famosos cineastas russos tais como Serguei Anizentain e Gregori Kozintsev e Andrei Tarkóvski, este último, mais moderno. Mas pouco ou quase nada se sabia do cinema polonês.
Recentemente, numa dessas noites em que se perde o sono, vi o filme “Katyn”, uma superprodução original e polonesa dirigida por Wajda, com atuação de um elenco monumental, um filme sem retoques, mantendo à risca o estilo inconfundível deste diretor. A fotografia terrosa, com tons escuros, fotografia inpecável, uma obra de arte, filmada no estilo clássico com todo o esplendor da linguagem cinematográfica, sem contar o roteiro perfeito com atuações sem nenhuma rebarba. Para quem vem do teatro, poder assistir um filme de Wajda é simplesmente magnífico, vale a pena.


Roman Polanski

Premiadíssimo, Ronam Polasnski
recebeu o oscar pelo filme "O Pianista",
masnão pode receber.
"O Pianista" premiadíssimo
e já nasceu
como obra prima.
O cineasta Franco-Polonês, Roman Polanski, curiosamente nasceu em Paris, em 1933 mas foi viver com seus pais na Polônia quando ainda tinha 2 anos de idade, em 1939, quando a Alemanha nazista invadiu aquele pais, Polanski ia completar 07 anos de idade e passou a viver as agruras da guerra tendo, inclusive, perdido sua mãe, num campo de concentração. Meu contato com seus filmes se deu quando eu ainda era aluno da faculdade de teatro, em Curitiba, e, claro, estreei vendo sua obra prima, “O Bebê de Rosemery”, filmes estupendo, praticamente perfeito e que até hoje arrasta
Maja Ostaszewka, musa do cinema
Polonês.
uma legião de fãs pelo mundo afora. Na década de 90 mergulhei mais a filme em sua obra e assisti o estranhíssimo e ao mesmo tempo magnífico “O Inquilino” em que ele também atua.

Embora mais antigo, o filme “A Dança dos Vampiros”, virou um clássico da sessão da tarde nos anos 80 e praticamente toda a minha geração viu este filme que se tornou muito comentado e se tornou bem popular. O filme, com tom de comédia, tem um roteiro impressionante e conta com a atuação, também de Polanski, no elenco. Nos anos 80, no auge da carreira de Harrisson Ford, Polanski o dirigiu no estonteante drama policial “Busca Frenética” de 1988 que ganhou as telonas do mundo todo, dando, definitiva popularidade a este cineasta de grande sucesso e autor de grandes polêmicas com a mídia mundial.
"A Dança dos Vampiros" virou um clássico da sessão da tarde.
Em 2002, Polasnki voltou a encantar o mundo com seu drama de guerra “O Pianista” em que faz uma leitura profunda do ocorrido no Gueto de Varsóvia, criando um filme arrasador, contra o autoritarismo e a barbárie, desta vez, a guerra na ponta dos dedos de um pianista sobrevivente ao holocausto e ajudado por um oficial nazista. Neste filme, curiosamente, a atriz Maja Ostaszewka que teve estupenda interpretação no filme “Katyn” de Wajda, reaparece numa cena dilacerante e curta, mas muito bem dirigida pelo mestre.
"O Bebê de Rosemery", de 1968, um dos filmes mais famosos da obra de
Roman Polanski..
O encantamento causado pela obra de Roman Polanski é sem precedentes, sua firmeza, sua riqueza de detalhes, a tonalidade de seus fotogramas e sobretudo a profundidade reflexiva de cada filme, faz dele um dos gingantes do cinema mundial.

Krzysztof Kieślowski


Nascido em Varsóvia, em 1941, este magnífico cineasta polonês permaneceu por muito tempo, desconhecido do ocidente e sua obra chegou aos cineclubes através do seu “decálogo”, uma série de 10 filmes inspirados nos 10 mandamentos, dos quais dois se destacaram e viraram longas-metragens: “Não Amarás” e “Não Matárás”, na faculdade de teatro, em Curitiba, onde estudei, ver um filme de Kieslowski até que não era tão difícil, pois a cidade tem a maior colônia de poloneses do mundo, fora da Polônia, com ótimos intelectuais, professores universitários, alguns até famosos destacando o poeta Paulo Leminski, que tinha orgulho de sua descendência Afro-polaca. Em Curitiba, é possível ver nas pedras da cidade, elementos profundos da colonização polonesa.


"Trilogia das Cores" - Três filmes inspirados na bandeira da França, tornaram
conhecidas do grande público atrizes como Juliette Binoche e Julie Delpy
"Não Amarás" tornou-se
um dos filmespreferidos dos
cine-clubes do final dos
anos 80.

Em meados dos anos 90, Kieslowski presenteou o mundo com a sua famosa “trilogia das cores”, uma série de três filmes inspirados nas cores da bandeira da frança: “A liberdade é azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha”, filmes encantadores que fortaleceram as carreiras de atrizes hoje famosas como Juliette Binoche e Julie Delpy. Assisti à trilogia das cores quando já vivia no Rio de Janeiro, para mim, Kieslowski junto com Tomáz Gutiérrez Alea, de Cuba, foram os dois cineastas que conquistaram meu coração e arrebataram minha subjetividade. Eles apontavam para “um olhar diferente”; um cinema autoral e independente que acabou por influenciar grande parte da filmografia pós anos 90.

Em 1996 o mundo comoveu-se ao saber da morte de Kieslowki, praticamente prematura, com apenas 54 anos de idade, ele partiu mas sua obra, hoje, permanece intacta e atual. Até ele hoje vive em nosso coração e, quem verdadeiramente ama o cinema, não deixará de lembrar deste cineasta e, os jovens, que estão ingressando nesta arte, é fundamental que conheçam seu magnífico trabalho.


FONTES: Este texto é autoral e foi escrito a partir de pesquisas na internet, especialmente Wikipedia. Todas as imagens são de domínio público.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ricardo Mansur - Entrevista Exclusiva.

Conhecemos Ricardo Mansur, nos bastidores da escola de cinema Darcy Ribeiro, seu entusiasmo e dedicação mostrou-nos uma pessoa focada tanto na arte do cinema como na música. Com ele, é sempre possível um bom papo carregado de referências filosóficas, poéticas e cotidianas. Foi com base nestes encontros breves, que decidimos enviar para ele uma entrevista no melhor estilo Cine Mosquito.

Ricardo Mansur - Em busca de linguagem própria.


Músico instrumentista, compositor, cantor, arranjador e produtor musical. Seu primeiro CD intitulado Terra de Índio foi finalista do prêmio Sharp em 1996 na categoria revelação. Desde então tem se dedicado à produção musical e realizou trabalhos com João de Aquino, Guto Goffi, Paulo Jobim, Osvaldo Montenegro, Arthur Maia entre outros. Foi diretor de áudio e trilhas da TV pública de Angola em 2002. Lançou em 2008 o grupo Mansur Samba Trio. Formado em direção cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro em 2012, lança agora o curta metragem "Quinto Andar" onde atua como roteirista, diretor e compositor da trilha sonora.

Confira entrevista exclusiva de Ricardo Mansur especialmente para o Cine Mosquito.

Cine Mosquito -  Na tua percepção o que leva uma pessoa a se apaixonar por cinema? 
Ricardo Mansur – Depende da pessoa. Algumas se apaixonam pelo glamour. Outras pelos atores e atrizes. Outras pela hipnose que o cinema pode provocar ao "contar" uma história. Eu me apaixonei pelo fato do cinema ser uma arte "sem gramática", sempre em invenção.  
CM–  Quais os filmes que fizeram a tua cabeça antes e depois de cursar a escola Darcy Ribeiro? 
R M – Como é muito complicado citar alguns e se eu for honesto vou usar umas cinquenta linhas, vou citar os últimos filmes que me fizeram a cabeça: Bang-Bang, de Andrea Tonacci, O Trovador Qerib, de Sergei Parajanov, O Cavalo de Turim, de Bella Tar e Fausto, de Sokurov. 
CM – Como é, pra você, a rotina de fazer um filme? Você tem algum “rictus” pessoal. Fale um pouco da experiência diretamente ligado ao set de filmagem. 
RM - Minha experiência é pequena porque fiz apenas um filme como roteirista e diretor, mas eu procurei meditar e me concentrar antes das filmagens. Um diretor no set necessariamente precisa saber o que fazer, mesmo que não saiba exatamente. A equipe necessita da segurança do diretor para se sentir segura.  Ao mesmo tempo o cinema que me interessa é um cinema que considera o acaso como um prêmio para o plano, logo, existe uma margem de incerteza desejável, ainda que a equipe não perceba isso, e talvez, seja bom que a equipe nem desconfie.   
Cena de "Quinto Andar", primeiro fime dirigido por Ricardo Mansur. Sua
busca por originalidade e linguagem própria fica evidente.
CM – Teu filme, QUINTO ANDAR impressiona pela unidade harmônica entre fotografia, direção, montagem e som! Esse tipo de convergência no resultado, era previsto?  Como foi lidar com todos esses profissionais ao mesmo tempo e chegar ao resultado? 
RM - No cinema a equipe é que faz o filme. O diretor propõe, mas o resultado depende muito da equipe. Buscar unidade sempre! Eu procurei cuidar das pessoas e lhes dar a atenção necessária para realizarem os seus respectivos trabalhos da melhor maneira. Bom humor e descontração é fundamental. Eu trabalho melhor quando estou alegre, ainda que esteja fazendo algo que é muito sério. 
CM – O que você acha da famosa “retomada do cinema nacional”. Na tua percepção, o cinema nacional avançou nos últimos 10 anos? 
"Quinto Andar" um filme que prima por rigor técnico e cenografia criativa.
RM - O cinema independente avançou muito. O cinema em geral avançou pouco. Temos problemas na relação com o Estado no que diz respeito a financiamento. Hoje no Brasil o Estado financia o lucro da  Globo Filmes através dos propalados editais. Isso resulta em absurdo. Eu penso que o Estado deveria regular o mercado e não financiá-lo. É insuficiente o investimento em formação e fomento ao cinema que não tem compromisso com o lucro. Portanto temos que "retomar" o assunto todos os dias. Em relação aos grandes sucessos como: Cidade de Deus, Tropa de Elite ou mesmo O Palhaço, penso que podem ser filmes bem feitos do ponto de vista "profissional", mas é um tipo de cinema que eu tenho pouquíssimo interesse.  
CM – Faça a sua lista de filmes, que você recomenda para os leitores do blog CINE MOSQUITO. 
RM - Já citei alguns na outra resposta e agora vou me permitir citar dois filmes que foram referência para a realização do Quinto Andar: La Jetté, de Chris Marker (é um curta metragem e tem no youtube) e Stalker, do Tarkovsky. 
CM – Quem é Ricardo Mansur por Ricardo Mansur? 
RM - Uma pessoa que procura não se auto-definir.